quarta-feira, 22 de abril de 2026

Epístolas sem retorno 53 - Emanuel Lomelino

Friedrich Nietzsche
Imagem pinterest

Prezado Friedrich


Juro que, apesar de dissertar múltiplas vezes sobre esta temática, não tenho obsessão pela morte. Simplesmente, acho fascinante discorrer os pensamentos pelas questões que a ela estão, de alguma forma, associadas. Principalmente o medo. Aliás, creio que, exceptuando alguns filósofos com discursos de índole religiosa, a esmagadora maioria dos pensadores vê o medo da morte como um dos paradoxos mais naturais, mas também ridículos, da humanidade.

Para Epicuro: “A morte é apenas a ausência de sensação, logo, não deve ser temida”.

Para os estoicos: “A morte é passado e futuro, e o medo dela impede de viver plenamente o presente”.

Para os existencialistas: “A consciência da finitude é o que dá sentido à vida”.

Na minha visão, vale o que vale e até posso vir a mudar de opinião, não existe medo da morte. Aquilo que há, dentro de quem diz sentir medo da morte, é, na verdade, medo de sofrer na hora da morte. Ninguém, em perfeito juízo, pode sentir medo de algo que desconhece e sobre o qual nada mais se sabe para além da certeza de ser o fim da vida, tal qual a concebemos e entendemos. Contudo, todos sabem que a maioria das mortes comporta um final doloroso, angustiante, lento e até violento. E é disso que a humanidade tem medo; da dor, do sofrimento, da angústia, da incerteza, enfim, da espera.

Não existe medo do desconhecido, há apenas medo do que se conhece. E para combater esta realidade, Friedrich, na tentativa de desmistificar o medo da morte, estou inclinado a prescrever a sua fórmula: “O que não me mata, fortalece-me”.


Pensativo

Emanuel Lomelino

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