terça-feira, 21 de abril de 2026

Prosas de tédio e fastio 135 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

135


Olho o cinzentismo deste céu indisposto, solidarizo-me com o seu mau-humor por ver os meus planos irem água abaixo e penso, de mim para comigo: «raios partam»!

Acho que me escutou os pensamentos e oiço-o resmungar um trovão, cujo ribombar ainda ecoa no interior de cada osso do meu corpo.

Acto contínuo, fico a observar o dia pardacento com saudades da caminhada que não posso fazer por culpa deste chove que não chove.

Então, para levantar a moral e ganhar um brilhozinho nos olhos, vem-me à ideia uma “sergiogodinhada” e decido escrever. Para mal dos meus pecados, nada valoroso me ocorre.

Mas como homem prevenido vale por dois, faço das tripas coração e, numa inversão de marcha, opto por executar um plano “b”, porque quem não tem cão caça com gato e mais vale um pássaro na mão…

Assim sendo, procuro na linha do tempo algumas palavras que me sirvam de agasalho ao estro e encontro, entre revelações de alma e outras algaraviadas, um texto que faz cócegas neste meu espírito desanimado.

Depois de, silenciosamente (como é meu apanágio), rir a bandeiras despregadas, escolho dar corda ou rédea solta às metáforas e mergulhar de cabeça numa empreitada de expressões idiomáticas. De louco todos temos um pouco e quem vê caras não vê corações (a inversa também é válida).

Posto isto, agora que me deitei na cama que fiz e já sinto água pela barba pelas frondosas correntes de baboseira derramada, sinto que devo agradecer a inspiração divina a uma simples consulta de rotina, mais acrobática do que a ida ao ginásio, cujo diagnóstico se resume a chá e torradas.

Ah, é favor não esquecer o “Omeprazol” porque não se deve consumir comprimidos de estômago vazio.

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