quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A quinta fase da lua c/ Manuela Fonseca

Atravessei o vale da noite
Com a alma pendurada no olhar
O sorriso amarrado à cintura
Nas pernas o tombo do cansaço
De quem bebia à volta do prato
E picava as migalhas
Sob um convite lunar
 
Quando os cabrões me deixaram
Os restos mortos de um planeta
Meditei-me na intensa escuridão
Sobre o sossego espaçado
Da quinta fase da lua
Insanidade profetizada
A erigir bandeiras
De palavras prostitutas
 
Isenta de afectos
Reapareci-me
Nessa quinta fase
De uma lua ignorada
Efeitos colaterais
De Lugares Santos.
 
Naveguei nos trilhos do crepúsculo
Mordendo o pó dos caminhos proibidos
Sorvendo das pedras o desejo estéril
Alimento para as almas refugiadas.
Sob o brilho da lua pagã
Abracei-me ao pensamento
No breu do Nirvana
 
No desapego do afecto inteligente
Furtei as raízes do sentimento
Usurpei a consciência do espaço.
Num estupro de palavras
Alucinei a razão do sentir
E morri-me em gritos surdos
No frágil tempo nocturno
De um terreno fértil de loucura.
 
Vazio de crença
Transformei-me
Numa esfíngica construção
Temperada no fogo
Da quinta fase da lua
Qual Fénix renascida.

Dueto extraído do meu livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos] sob chancela LUA DE MARFIM - 2011

2 comentários:

  1. a cada momento estamos renascendo das cinzas como a ave Fénix
    bjs

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    1. Saibamos sempre erguer-nos após cada queda!
      Beijos.

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