domingo, 20 de abril de 2014

AUDAZ FANTASIA - NOCTURNOS (sobre tela de Gilberto Russa)


Nem o ébano das mãos escapa à incerteza
de um fortuito toque negro e cego.
Com as palmas suadas de salitre
tacteio becos e vielas de muros seculares
procurando salvar-me do medo labiríntico
e dos uivos que o inconsciente amplifica.
A clausura da noite é perpétua audácia
e os signos pontuados nos céus
pouco mais são que fantasias da mente.
A vida tem mais curvas que a cidade
e mais razões para nos perdermos.

Poema extraído do meu livro NOVO RESPIRAR - Lua de Marfim - 2014

   

sábado, 12 de abril de 2014

DOGMA

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

Chegou o momento de abrandar o passo
e deixar de lutar contra moinhos de vento
e outras marés.
É tempo de dar tréguas ao inconformismo
e evitar todos aqueles confrontos perdidos
logo à partida.
Já não faz nenhum sentido perseguir sonhos
que são simples frutos de uma imaginação
em tudo estéril.
Deixou de existir lógica na insistente busca
daquela bela ilha utópica chamada Ítaca.

Eis o novo dogma. 

Poema extraído do meu livro NOVO RESPIRAR - Lua de Marfim - 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

NOVO RESPIRAR

O ar que inspiro em golfadas urgentes
queima-me os pulmões calcinados
pelas respirações da outra existência.
As velhas cicatrizes ainda não sararam
e as dores teimam em marcar presença.
Cerro os dentes na eterna esperança
Que toda a fúria deste novo respirar
Seja o reinício que a vida me prometeu.

POEMA EXTRAÍDO DO MEU ÚLTIMO LIVRO "NOVO RESPIRAR" - LUA DE MARFIM 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

LISBOA (inédito)

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

Lisboa tem uma aura de misticismo
que todos envolve e enfeitiça.
Não sei se é culpa deste Tejo intemporal
ou da sobranceria das colinas.
Alguém me diga se é do dialecto bairrista
ou dos pregões das varinas de outrora
que o povo desta cidade se alimenta.
Diga quem souber, se é nas tasquinhas
ou no trinar sofrido das Guitarras
que encontramos as sombras do mundo.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

VI UMA FOTO TUA (inédito)

Imagem retirada da internet

Na casualidade dos dias vi uma foto tua
instante teu que fez estremecer meu chão
logo temi por este já desgastado coração
que te ama e desse sentimento não recua.

Vi o teu rosto, o teu corpo, o teu retrato
quanta beleza, oh deuses, quanta beleza
e outra vez s'apoderou de mim a certeza
ter calado esta minha paixão foi insensato.

Nessa foto revivi o que nunca se apagou
a chama que no meu peito jamais cessou
uma memória de ti qu'em mim permanece.

Ver aquela foto foi mais qu'uma revelação
foi suspeita que se revelou a confirmação
aquele que te ama nunca mais te esquece.