domingo, 2 de fevereiro de 2014

MAL DE AMOR (INÉDITO)

Imagem retirada da internet




Se existem males que vêm por bem
e por linhas tortas se escreve direito
quero saber de que mal o amor vem
se vai chegar numa linha com efeito.

Será de amor o mal que alguém tem
e torta a forma de se amar a preceito
ou não existe linha d'amor p´ra quem
tem mal de amor estampado no peito.

Não sei que mal pode haver no amor
nem qual a melhor forma de se amar
não sei se existe uma forma correcta.

No fundo basta amar, seja como for
sabendo qu'o mal se pode contornar
amando muito alguém em linha recta. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

SINAIS c/ JESSICA NEVES

Se na vida atingimos a glória
através das batalhas travadas
algumas metas conquistadas
jamais nos ficam na memória.

Se a vida, por si só, é vitória
p'lo sucesso das empreitadas
não serão vitórias alcançadas
um sinal de conquista ilusória?

Se no tempo perdemos tempo
através dos relógios alterados
alguns roteiros são evitados
sempre nos trazem desalento.

Se o tempo, por si só, é momento
p’lo que se vive sem (se) viver
não será o que acreditamos ter
um sinal soprado p’lo vento?



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

JARDIM DE POESIA c/ JESSICA NEVES

Neste jardim de poesia que eu vejo
plantei uma flor, bonina-do-desejo
cujo perfume me cativa, m’inebria.
Tem suavidade dum amor-perfeito
delicado como virgem no seu leito
bela sonoridade, celestial melodia.

Neste jardim de poesia que eu toco
plantei um odor que me deixa louco
cujo aroma me comove, m’arrasa.
Tem intensidade de mulher-poema
sedutora nata num puzzle-dilema
tela sedutora, acolhedora casa.

Neste jardim de poesia que eu vivo
mais que paixão, é amor que cultivo
cuja fragância me enlaça, m’encanta.
É uma relíquia e é eterna esperança
que na vida poucas vezes se alcança
e transforma o poeta em alma santa.  


Neste jardim de poesia que eu amo
mais que desejo, é prazer que clamo
cuja vontade me ferve, m’arranha
É uma alquimia e é risco desmedido 
Que no fado tantas vezes é conduzido
Ao delírio infernal que no céu se banha.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

NATÁLIA CORREIA

Mulher açoreana, pêlo na venta
poetisas como tu já não fazem
nem sei como a poesia aguenta
quando os melhores já jazem.

Guerreira de milhentas batalhas
foste mais audaz qu'os audazes
este país hoje está de cangalhas
nem sabes a falta que nos fazes.

Lutadora sem pápas na língua
p'ra casa não levavas desaforo
o nosso idioma anda à míngua
de nada serve o pranto e choro.

Tua voz de tom satírico, mordaz
nunca se deveria ter despedido
o pessoal anda em marcha-atrás
porque esta vida perdeu sentido.

Levaste as tuas armas contigo
quem te admira ficou indefeso
os políticos só olham o umbigo
e o povo, bem, esse anda teso.

Sem ti, Portugal não tem nexo
nunca antes tal por aqui se viu
o povo fodido tem menos sexo
e a taxa de natalidade diminuiu.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013



terça-feira, 22 de outubro de 2013

NATÉRCIA FREIRE

Quando chegar a hora do anoitecer
e os postigos dos olhos relaxarem
tenho a certeza que vou adormecer
abraçado ao crepúsculo do crer
mesmo depois de me encerrarem.

Visitarei o porto da minha descrença
ao barqueiro Caronte pedirei licença
mas recusar-me-ei embarcar
se a travessia for tumultuosa
a barca ser distante de luxuosa
e não ouvir os querubins a cantar.

Pela viagem não pagarei um tusto
a mim não se aplicará cobrança
não atravessarei a qualquer custo
para arrelia já bastou o susto
de jamais viver em abastança.

E se Caronte insistir no pagamento
direi que verdadeiramente lamento
mas nem obrigado irei pagar
só embarcarei estando tudo a gosto
eu nunca fiz o que me foi imposto
não pisarei a barca para lhe agradar.

E se no limbo que não acredito
eu tiver de permanecer eternamente
não darei o dito pelo não dito
mesmo que me chamem impertinente.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013