sábado, 12 de outubro de 2013

CASIMIRO DE BRITO

Através das grades dos teus olhos
vislumbras metade do que sou
já de mim um ser incompleto.
Decepas as palavras que te dou
torces os sentidos da razão
celebras os anúncios alheios
como se a única verdade
fosse exclusiva de outras bocas.
No fundo desconheces as sombras
e os escombros de onde ressurgi
e ignoras as penas dos meus pecados.
Existe guerra no teu coração
porque do pouco que vês
formas duas ideias contraditórias
sou feroz aliado e inimigo fiel.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ANTÓNIO RAMOS ROSA

As palavras também têm infância
nascem e crescem e inventam-se
ganhando corpo numa frase
e alma nas estrofes do poema.
As palavras jovens não temem o mundo
nem receiam a vida por serem imortais.
Adultas, são sérias e dignas
e juntam-se aos seus pares
em livros que pretendem ser memória.
Por mais que custe ao poeta
todas as palavras mesmo rasuradas
sobreviverão ao seu parteiro
e atravessarão a eternidade.
As palavras não são naturezas mortas
nem mesmo quando queimadas.


Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

Neste dia triste para o universo das letras portuguesas, quero deixar a minha solidariedade e sentidas condolências aos familiares e amigos do grande poeta que hoje nos deixou. Até sempre mestre!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ONDJAKI

Estou aqui a tentar escrever um poema
para dedicar ao poeta angolano Ondjaki
mas não me ocorre nada interessante.
Dou voltas e voltas à procura de tema
de estilo, de versos, de palavras e nada.
Penso que o poema não nasce hoje
a não ser que me surja uma boa ideia.
Alguém me disse que é nos livros maus
que encontra ideias para a sua poesia.
Lembro-me de algo que li num livro mau
que talvez venha a ser uma boa ideia
embora me pareça demasiado absurda.
Enquanto trabalho nessa ideia sem nexo
aproveito e lanço um desafio ao Ondjaki:
Poeta! Que tal lomelinizares um poema teu
como eu tenho tentado ondjakizar um meu?


Este poema foi extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

JOÃO MELO


A minha poesia é bem portuguesa
e escrevo em todos os sotaques
inclusive os de outros continentes.
Os versos que crio como fado
têm ritmo de samba e kuduro
e dançam embalados numa morna.
Alimentam-se de funje aos Sábados
e de bacalhau aos Domingos.
A lusofonia dos meus poemas
não tem fronteiras, é universal.

Este poema foi extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


terça-feira, 3 de setembro de 2013

VITOR CINTRA

Catorze versos métricos tem o soneto
s’assim não for será apenas imperfeito
mas há aquele que lhe apanha o jeito
sendo, poeta e poema, um belo dueto

Com sílabas contadas faz-se a poesia
num estilo que requer mais dedicação
entregando-se à escrita com devoção
será nos sonetos que revelará mestria

E se o saber for grande, melhor ainda
muitos serão os versos com história
que a pena do poeta não faça pausa

Que jamais se dê a sua arte por finda
os Deuses lhe outorguem toda a glória
e os homens, o título Honoris Causa 

Poema retirado do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013