quinta-feira, 12 de setembro de 2013

JOÃO MELO


A minha poesia é bem portuguesa
e escrevo em todos os sotaques
inclusive os de outros continentes.
Os versos que crio como fado
têm ritmo de samba e kuduro
e dançam embalados numa morna.
Alimentam-se de funje aos Sábados
e de bacalhau aos Domingos.
A lusofonia dos meus poemas
não tem fronteiras, é universal.

Este poema foi extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


terça-feira, 3 de setembro de 2013

VITOR CINTRA

Catorze versos métricos tem o soneto
s’assim não for será apenas imperfeito
mas há aquele que lhe apanha o jeito
sendo, poeta e poema, um belo dueto

Com sílabas contadas faz-se a poesia
num estilo que requer mais dedicação
entregando-se à escrita com devoção
será nos sonetos que revelará mestria

E se o saber for grande, melhor ainda
muitos serão os versos com história
que a pena do poeta não faça pausa

Que jamais se dê a sua arte por finda
os Deuses lhe outorguem toda a glória
e os homens, o título Honoris Causa 

Poema retirado do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


quarta-feira, 24 de julho de 2013

PEDRO MEXIA

Um grupo de jovens com sangue na guelra
típicos gaiatos dos subúrbios da capital
atravessavam a cidade de uma ponta a outra
no velho transporte público, vulgo, autocarro.
O metropolitano ainda não ía ao Cais do Sodré!

Depois era a boleia no comboio até Belém
e como não havia borlas no cacilheiro
todos abriam mão dos tostões amealhados
nas multifacetadas artimanhas da juventude.
A necessidade sempre aguça o engenho! Dizem!

Na Trafaria nada mais restava que arrastar os pés
até à praia de S.João (tantos quilómetros nas pernas)
aí chegados era cada um por si à caça de garina
que um dia de praia de nada valia sem companhia.
As histórias que as dunas contariam se pudessem!

Após um dia inteiro de mergulhos e amassos
perto da hora em que noutra estação seria noite
romaria em sentido contrário (o cansaço pesa)
com as algibeiras vazias o regresso era difícil.
As conquistadas é que pagavam as viagens!

Regressados ao bairro ainda havia uma pelada
que o banho podia esperar mais meia hora.
Nunca se pensava no dia que estava por vir
porque todos viviam apenas um de cada vez.
Ai que saudades dos tempos de juventude!

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013



segunda-feira, 8 de julho de 2013

NUNO JÚDICE

Amigo poeta, não fiques na indecisão
sobre o que usar em tempo agreste
não és bife e tantos os cães como os gatos
são pesos ligeiros perante os cântaros
que chovem em português.
Quanto às bruxas… pede-lhes as vassouras
e ajuda a limpar a sujeira em S. Bento.


Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

A ti poetisa porque Deus quis
Eu te falo com doçura na voz
Exalto as tuas belas raízes poéticas
Enalteço o talento de gerações passadas.
De ti poetisa porque Deus deseja
Eu aprendo o que é ser poeta
E revejo o sentimento
Que apenas os poetas têm.
Para ti poetisa porque Deus permite
Eu quero que escrevas ainda mais
Quero que nos delicies com teu talento
E nos faças sonhar
Ao sabor da tua poesia
Dos teus soberbos sonetos.
A ti poetisa porque Deus consente
Eu quero dizer palavras de louvor
Mas não há adjectivo que te sirva
Nem verbo que te descreva.
Para ti poetisa porque Deus acredita
Eu deixo a minha gratidão pela mestria
Pelos ensinamentos e pelos conselhos.
Em ti poetisa porque Deus aceita
Eu sempre quero ver e sentir
A tua alma poética
A alma de…
Poeta Porque Deus Quer

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013