segunda-feira, 3 de junho de 2013

VINÍCIUS DE MORAES


Não cantarei nenhuma balada
tampouco uma canção falada
o que eu dissesse seria trivial
escreverei o poema do nada
só em métrica desengonçada
estilo meu, rimado mas banal.
 
Não te direi motes de louvor
esses jamais saberei compôr
tu sim, porque eras especial
deste corpo de letra ao amor
escreveste da paixão o sabor
revelaste teu lado sentimental.
 
Na poesia sou o poeta mudo
sem capa, batina ou sobretudo
serei poeta d'agora, temporal
tu foste poeta em quase tudo
máscara de ti, foste Entrudo
foste bem mais que Carnaval.
 
Faço versos tal como eu sou
neste plano onde vivo e estou
da vida que gira, qual espiral
tua poesia viva, mundo girou
até nós hoje mais viva chegou
e fez de ti um poeta universal.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Amanhecer sem sentido c/ ANDRÉA IUNES


Quando sofre o pobre coração
por um amor cruel, malfadado
sentimento triste e calado
transborda no peito, a solidão
 
Os passos dados perdem brilho
não há destino nas caminhadas
quanto mais pedras pisadas
menos visível fica nosso trilho
 
Das lágrimas de dor e pranto
escorrem, memória e desilusão
envoltas num negro manto
como atos de fé e de contrição
 
A vida segue atrás dos montes
num amanhecer descolorido
destinos atravessam as pontes
e o amor já não faz mais sentido

segunda-feira, 27 de maio de 2013

AUDAZ FANTASIA


Deitado neste mar de golfinhos
deixo-me embalar pela maré do pensamento
e tento descortinar lá bem no alto
junto das estrelas mais cintilantes
os contornos do teu rosto
que um dia pintei no céu.
 
Em cada astro vejo o brilho dos teus olhos
(aquele olhar meigo e terno)
que me fez voltar a acreditar.
Cada letra do teu nome é uma constelação
e juntas sussurram-me o teu sorriso
como se nada mais existisse de ti.
 
Fecho os olhos
e como num golpe de magia
materializas-te e sinto-te em mim
de forma tão intensa e verdadeira
que todo o meu corpo estremece.
 
Neste momento (mero instante)
faz-se luz na minha consciência
e perante a ausência da tua voz
descobro as palavras que calei.
O silêncio é absoluto e dói.
 
Abro os olhos e procuro-te
na esperança de não te perder
mas a realidade é bem diferente
e esbofeteia-me sem piedade
como se pretendesse dizer-me
que o amor na minha vida
nada mais é que uma audaz fantasia!

Este poema foi escrito para participação no I Concurso de poesia AlenCriativos, subordinado ao tema AUDAZ FANTASIA, e selecionado para a antologia com o mesmo nome. Por cada livro vendido, 2€ revertem para a associação de cariz social Mithós - Movimento de Apoio à Multideficiência.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Súplica à musa C/ ANDRÉA IUNES


Da vil escuridão envolvente
onde, agrilhoado, sou o réu
quero libertar-me e imponente   
contruir meu próprio mausoléu
 
Desejo que a lua crescente
mova-se rápida, leve no céu
enquanto a bruma, tão silente
fuja lépida do campo ao léu
 
Mostra-me, oh lua, luz brilhante
para sempre serás grande dama
de todas as minhas tolas manhas
 
Faz de mim, eterno caminhante
sem remorso nem pena ou drama
e ilumina minhas tristes façanhas.

Podem acompanhar o trabalho desta poetisa gaúcha aqui.

domingo, 19 de maio de 2013

Arrebenta a bolha! (inédito)


Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!
grita a plenos pulmões o ranhoso Bagaço
que a jogar às escondidas é um embaraço
sempre gozado, há quem lhe chame trolha.
 
Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!
juntam-se mais vozes d'outra rapaziada
que se apressam a responder à chamada
O Iman tem cromos novinhos em folha!
 
Dou-te dois pelo do Álvaro Magalhães
Isso depende se não tiver o que tu tens.
Vamos a isso. Tira dois à tua escolha!
Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!
 
P'rá troca, p'rá troca, p'rá cola, p'rá troca
p'rá troca, p'rá troca, p'rá cola, p'rá troca
Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!
Ó Bagaço! Cala-te ou levas uma solha!
 
P'rá troca, p'rá troca, p'rá troca, p'rá cola
p'rá troca, p'rá troca, p'rá troca, p'rá cola
Fico com o do Vermelhinho e o do Frasco
Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!
Cala-te Bagaço! Estou-te com um asco!
Cala-te ou na boca ponho-te uma rolha!
Arrebenta a bolha! Arrebenta a bolha!

Um dos poemas que escrevi, subordinado ao tema BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS DE ANTIGAMENTE, para o encontro de poetas que se realizou ontem no Museu Municipal de Alverca