quarta-feira, 15 de maio de 2013

Luta de poeta


Sozinho no meu canto
Que não é secreto
Liberto o meu pranto
E também me liberto
Dou asas ao sentir
E sinto-me em paz
Do pranto vou emergir
E voltar a ser audaz
De mim próprio sou réu
Sem ter culpa formada
Escapar-me-ei do breu
Iniciarei nova jornada
Lutarei contra o mundo
Num combate final
Nem novo golpe profundo
Me poderá fazer mal
Mesmo com nova cicatriz
Não sairei magoado
Sou como o destino quis
Pela vida fui marcado
Já sarei muitas feridas
Recebi imensas facadas
Que nas costas recebidas
São pequenos nadas
Uma vida em aprendizagem
Aprender até morrer
Viver a vida com coragem
É sinal de saber viver
Da luta não vou fugir
Nem tão pouco recuar
Da adversidade vou rir
Contra o medo vou lutar
Neste combate individual
Não há nenhum aliado
Nem vejo um só sinal
De estar acompanhado
Nada correrá para o torto
Pois em mim tenho fé
Mesmo que acabe morto
Saberei morrer de pé

Poema extraído do meu livro AMADOR DO VERSO - Temas Originais - 2010

quarta-feira, 1 de maio de 2013

NOÉMIA DE SOUSA


A tua poesia é uma senzala de poemas
onde soubeste expôr o sentir felino
da negritude Índica.
Os teus versos são escravos da verdade
que corrói a rubra seiva das savanas
em gritos de revolta.
Teu lúcido pensamento de pés descalços
continua progenitor dos trovadores
com memória de ti.
Tua brevíssima obra de pranto e lágrimas
deixa em nós o teu eterno respirar
Kanimambo poetisa.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

HELENA ISABEL


Nas bravas águas da Bretanha
deixas que os teus sentidos enlouqueçam
e expurgas de ti as tristezas do presente.
A felicidade que o líquido atlântico te dá
é a força que conservas na intimidade de ti
e nada mais temes para além dos pensamentos.
As palavras que saem do teu âmago
são o teu idioma, a tua natureza e o teu pulsar
que fazem de ti o que sempre quiseste ser, poetisa!

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

TATIANA MOREIRA


A ti poetisa
mil vezes garanti
mais que vontade, o desejo
de ser o artífice dos teus versos.
Do teu estro
saem sentimentos que são os meus
em frases que bem podiam ser as minhas
e que me revelam.
Da tua pena sai a seiva
que corre nestas veias
como se as tuas palavras
fossem a descrição de mim.
Em ti poetisa
ouve-se a voz do meu ser
o choro da minha alma
e o pranto da minha existência.
 
Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Gerúndio de morte (inédito)

Pouco a pouco vou definhando
o tempo passa e eu prescrevendo
o lento fim vai-se aproximando
e a viver ainda estou aprendendo
 
Pedaço a pedaço vou desligando
um a um, os sentidos perdendo
a medo ainda vou perseverando
e neste limbo vou-me mantendo
 
Pela minha hora estou esperando
o fim do meu tunel já estou vendo
tem uma bela luz branca brilhando
sinal que há muito venho morrendo.