quarta-feira, 1 de maio de 2013

NOÉMIA DE SOUSA


A tua poesia é uma senzala de poemas
onde soubeste expôr o sentir felino
da negritude Índica.
Os teus versos são escravos da verdade
que corrói a rubra seiva das savanas
em gritos de revolta.
Teu lúcido pensamento de pés descalços
continua progenitor dos trovadores
com memória de ti.
Tua brevíssima obra de pranto e lágrimas
deixa em nós o teu eterno respirar
Kanimambo poetisa.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

HELENA ISABEL


Nas bravas águas da Bretanha
deixas que os teus sentidos enlouqueçam
e expurgas de ti as tristezas do presente.
A felicidade que o líquido atlântico te dá
é a força que conservas na intimidade de ti
e nada mais temes para além dos pensamentos.
As palavras que saem do teu âmago
são o teu idioma, a tua natureza e o teu pulsar
que fazem de ti o que sempre quiseste ser, poetisa!

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

TATIANA MOREIRA


A ti poetisa
mil vezes garanti
mais que vontade, o desejo
de ser o artífice dos teus versos.
Do teu estro
saem sentimentos que são os meus
em frases que bem podiam ser as minhas
e que me revelam.
Da tua pena sai a seiva
que corre nestas veias
como se as tuas palavras
fossem a descrição de mim.
Em ti poetisa
ouve-se a voz do meu ser
o choro da minha alma
e o pranto da minha existência.
 
Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Gerúndio de morte (inédito)

Pouco a pouco vou definhando
o tempo passa e eu prescrevendo
o lento fim vai-se aproximando
e a viver ainda estou aprendendo
 
Pedaço a pedaço vou desligando
um a um, os sentidos perdendo
a medo ainda vou perseverando
e neste limbo vou-me mantendo
 
Pela minha hora estou esperando
o fim do meu tunel já estou vendo
tem uma bela luz branca brilhando
sinal que há muito venho morrendo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

BICICLETA (inédito)

Foram muitos anos sem andar de bicicleta
porque as feridas de uma queda grave
apesar de terem sarado deixaram marcas.
Foram muitos anos a ver outras bicicletas
mas quando lhes tocava o medo ressurgia
e as pedaladas que elas pediam, não dava.
Até ao dia em que avistei uma bicicleta
que de tão encantadora me reacendeu
a vontade de voltar a pedalar estrada fora.
Coloquei todo o medo atrás das costas
e como ninguém esquece como se pedala
voltei a ser feliz pedalando uma bicicleta.
Mas um dia um dos pés saiu dos pedais
voltei a cair e a bicicleta ficou estragada.
Apesar dos danos, tentei voltar a pedalar
aquela bicicleta que tanto me encantou
mas os estragos que ela tinha eram muitos
e eu já não conseguia pedalar a direito.
Com amor, carinho e alguma devoção
arranjei a bicicleta, ela ficou como nova
mas a vontade de pedalar já tinha prescrito
e nunca mais quis pedalar aquela bicicleta.