terça-feira, 9 de abril de 2013

ANTÓNIO MR MARTINS


Ser poeta é dar ao mundo versos de candura
é escrever ironias e metáforas como Aquilino
é sentir mil sentimentos quase no feminino
e banhar as palavras nas águas de ternura.
 
Ser poeta é saber viver outra forma de vida
é fingir como Pessoa, num jeito que seduz
é dar a cara mesmo usando máscara de luz
e desaguar feliz numa atlântica foz sentida.
 
Ser poeta é rimar a poesia sem ter rima
é levantar a cabeça e mantê-la em cima
navegando nas palavras que alimentam.
 
Ser poeta é ser de todos o mais indigente
mesmo sendo semelhante a toda a gente
felizes aqueles que a poesia experimentam.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SE EU FOSSE...


Se fosse astronauta na lua viveria
Nunca ninguém me encontraria
Talvez assim pudesse descansar
Ficava escondido numa cratera
Se fosse astronauta, quem me dera
Lá viver e nunca mais regressar
 
Se fosse marinheiro de verdade
Mergulhava a grande profundidade
E viveria mesmo no leito do mar
Ficava escondido lá bem no fundo
Estaria longe dos olhos do mundo
Onde ninguém me fosse procurar

Se fosse mineiro das profundezas
Estaria certo entre outras certezas
De ter encontrado um bom lugar
Enclausurado entre xisto e basalto
Viveria sem qualquer sobressalto
E jamais alguém me ia encontrar

Poema extraído do meu livro AMADOR DO VERSO - Temas Originais - 2010

quarta-feira, 3 de abril de 2013

VICTOR OLIVEIRA MATEUS


De ti nascem os esboços do que escrevo agora
nestas linhas pautadas pelo vazio do branco
onde rasuro ideias que custam perícia e tempo
na incerteza da morfologia destas palavras
que respiram e regurgitam num só movimento.
 
Também são tuas estas frases órfãs de saber
inspiradas num instante de alucinação pagã
mas livres dos preconceitos irracionais da razão
que as dilacera e corrompe a cada sílaba
numa dança válsica que foge à compreensão.
 
Não negues a paternidade destas estrofes
cujas rimas furtivas se eclipsaram à nascença
deixando um simples discurso incoerente
de alguém que necessita escrever algures
todos os poemas que o papel recusa albergar.
 
São teus os versos que aqui vêm descansar
depois de correrem as estradas da criação
numa alucinante viagem sem destino prévio
mas com indomável vontade de se juntarem
e no fim gritar as dores de terem sido paridas.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

ROSA MARIA

Com teu calor e paixão escreves poesias
que alimentam as emoções mais recatadas
como sabemos nem todos os dias são dias
nem as manhãs nascem de más alvoradas. 
 
Com os versos de dor, amargura, tristeza
discursas sobre a vida como outros calam
falas de melancolia, de amor com singeleza 
anuncias ao mundo o que muitos não falam.
 
Com a tua poesia solitária roubas solidões
em muitos lares és companhia bem-vinda
és aconchego p'ra tristes almas e corações
porque tua generosidade poética é infinda.
 
Com tua pena tocas humanos sentimentos
que são teus, são meus, são de todos nós
tuas palavras chorosas, prantos, lamentos
são gritos d'alma que não precisam de voz.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

terça-feira, 26 de março de 2013

No silêncio das estrelas (inédito)

No silêncio que as estrelas proporcionam
encontrei, abertas, as portas do pensamento.
Deixei, ingenuamente, que a ilusão caminhasse
sem conseguir travar os seus passos.
Fui escravo da sua vontade.
Agrilhoado pela falta de realismo
fui transportado pela esperança vã
de, algures pelo caminho, te encontrar
e finalmente poder dizer
todas as palavras que me queimam o peito.
Queria, uma vez na vida, ser audaz
gritar, a plenos pulmões, a dor da alma
e assim secar a fantasia destas lágrimas
que, mortas à nascença, eu não soube chorar.
Queria, pelo menos uma vez,
dizer bem alto que sou teu prisioneiro
e que sonho a chegada do momento
em que, de olhos bem abertos,
saberei como te oferecer
a suprema prova de amor.