terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Amor viciante (inédito)

O amor é universal, isso não nego
A qualquer instante pode aparecer
O mundo sabe e todos podem ver
Que o amor não tem olhos, é cego
 
O amor é poderoso, resiste a tudo
Mesmo ao silêncio calado e atroz
O amor não fala, jamais teve voz
Sente-se mais o amor sendo mudo
 
Cego, mudo e manco, eis o amor
Na sua mais perfeita deficiência
Todos o querem, mesmo aleijado
 
Sentimento mau, sinónimo de dor
Como uma droga cria dependência
D’amor continua o mundo viciado

sábado, 9 de fevereiro de 2013

No silêncio das estrelas (inédito)

No silêncio que as estrelas proporcionam
encontrei, abertas, as portas do pensamento.
Deixei, ingenuamente, que a ilusão caminhasse
sem conseguir travar os seus passos.
Fui escravo da sua vontade.
Agrilhoado pela falta de realismo
fui transportado pela esperança vã
de, algures pelo caminho, te encontrar
e finalmente poder dizer
todas as palavras que me queimam o peito.
Queria, uma vez na vida, ser audaz
gritar, a plenos pulmões, a dor da alma
e assim secar a fantasia destas lágrimas
que, mortas à nascença, eu não soube chorar.
Queria, pelo menos uma vez,
dizer bem alto que sou teu prisioneiro
e que sonho a chegada do momento
em que, de olhos bem abertos,
saberei como te oferecer
a suprema prova de amor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O caminho c/ Nuno de Freitas


Se soubesses acreditar
Que a vida tem um sentido
Terias mais vontade de procurar
O teu caminho que está perdido
 
Não vivas nessa descrença
E mantém um pouco de fé
Um passo faz toda a diferença
Caminhando pelo nosso pé
 
Se fosses capaz de olhar
Para o fundo deste mar
Irias perceber
Tudo o que quero dizer
 
Não te julgues incapaz
Faz-te à estrada, sê audaz
Com as quedas não te importes
Elas fazem-nos mais fortes
 
Do lado de lá do infinito
Depois dos campos de linho
Desenhei o teu caminho
Esculpido em pedras de granito
 
Mesmo em trilhos duros
Obstáculos não são embaraço
Acredita que passo a passo
Vais dando passos mais seguros
 
Só tens de ter coragem
De agarrar a tua inoperância
Fixares os olhos na miragem
E não ligares à distância
 
Afinal o mundo é minúsculo
Cabe dentro da tua mão
E só verás o crepúsculo
Se atravessares a escuridão
 
Passo por passo vais seguir
Reforçando o teu querer
O teu caminho vais acabar por descobrir
E as nuvens vão desvanecer
 
Caminha sem nunca desistir
Não pares, busca a glória
Não há sabor mais doce de sentir
Que o gosto suave da vitória
 
Por fim com determinação
E um pouco de impulsividade
Ainda encontrarás o meu coração
Onde viverás em liberdade
 
E quando a caminhada terminar
Outro percurso vais querer
Sabes que tens tudo a ganhar
E não nasceste para perder

Este poema foi retirado do meu livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos] - Lua de Marfim - 2011

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Instante c/ Ana Lopes


Por um instante transformei o teu corpo em diamante
gelei os meus olhos nessa pedra brilhante
a minha boca ficou presa à tua.
 
Por um instante os nossos lábios humedeceram
as maçãs do meu rosto enrubesceram.
Por um instante eu combati o tédio
o teu corpo foi o meu remédio.
 
Por um instante, vi as pessoas a passar
vi-nos lá longe, na ponte, a olhar!
 
Por um instante o meu sonho encontrou um fundo
eu e tu, longe do mundo!
Para a eternidade, tu e eu, a dormir o sono profundo!
 
Por um instante fiz de ti a minha realidade
entreguei-me à serenidade
flutuei nesses teus braços.
 
Por um instante ficámos unidos por esta paixão
descobri o que significa união
desliguei a minha memória
desfrutei um momento de glória.
 
Por um instante transportei-me para fora de mim
desejei ficar sempre assim.
 
Por um instante tive a certeza de ser capaz
esqueci tudo, senti paz
Para a eternidade quero este instante que me satisfaz

Poema retirado do meu livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos] - Lua de Marfim - 2011

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Meu mar c/ Lita Lisboa


Na escuridão da noite
oiço um apelo.
Escuto o murmúrio das águas
que segredam às fráguas
mil e um prantos
outras tantas mágoas.
Aproximo-me sem medos
do mar escuto os segredos
que de mim já não esconde
porque precisa partilhar.
E desabafando, o mar se acalma
pouco a pouco fica sereno
e neste diálogo ameno
descubro que tem alma. 
 
O mar chama por mim
não o rejeito.
Tal como a lua
que lá do alto se insinua
e se deixa envolver
pela nuvem que flutua.
Assim me envolve o mar
com que me deixo embriagar
como se fosse uma taça
onde o vinho saltitasse em espuma.
Adoro o mar, com ele perco o juízo!
E nessa flutuante sensação
entro nas ondas com a ilusão
de que estou a entrar no paraíso.

Poema retirado do meu livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos] - Lua de Marfim - 2011