sábado, 19 de janeiro de 2013

Amo (2010)

Amo esse sorriso do teu rosto
Assim feliz, bem a meu gosto
Como é bom sentir-te contente
Sabes o quanto isso me apraz
Gostava também de ser capaz
E mostrar-me assim sorridente

Amo esse teu olhar embriagado
Sabes que me deixa enfeitiçado
Como é bom sentir esse feitiço
Soubera o meu olhar ser igual
A esse teu jeito muito especial
Mas meus olhos não fazem isso

Amo a tua pele e sua brancura
Derme que me leva à loucura
Nunca entendi o que aconteceu
Pele tão casta como a dos anjos
A tocarem sinos, harpas e banjos
Enquanto minha pele escureceu

Amo tua bela voz de querubim
Escutar-te-ei sempre até ao fim
De te ouvir jamais me cansarei
Falas com tanta ternura na voz
Eu imagino um futuro p’ra nós
Mero sonho e devaneio, eu sei

Amo o teu vigor e a tua chama
Enquanto este coração reclama
Por eu te amar assim tão forte
De te ter não perdi a esperança
De ti resta apenas a lembrança
Que me conduzirá até à morte

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A quinta fase da lua c/ Manuela Fonseca

Atravessei o vale da noite
Com a alma pendurada no olhar
O sorriso amarrado à cintura
Nas pernas o tombo do cansaço
De quem bebia à volta do prato
E picava as migalhas
Sob um convite lunar
 
Quando os cabrões me deixaram
Os restos mortos de um planeta
Meditei-me na intensa escuridão
Sobre o sossego espaçado
Da quinta fase da lua
Insanidade profetizada
A erigir bandeiras
De palavras prostitutas
 
Isenta de afectos
Reapareci-me
Nessa quinta fase
De uma lua ignorada
Efeitos colaterais
De Lugares Santos.
 
Naveguei nos trilhos do crepúsculo
Mordendo o pó dos caminhos proibidos
Sorvendo das pedras o desejo estéril
Alimento para as almas refugiadas.
Sob o brilho da lua pagã
Abracei-me ao pensamento
No breu do Nirvana
 
No desapego do afecto inteligente
Furtei as raízes do sentimento
Usurpei a consciência do espaço.
Num estupro de palavras
Alucinei a razão do sentir
E morri-me em gritos surdos
No frágil tempo nocturno
De um terreno fértil de loucura.
 
Vazio de crença
Transformei-me
Numa esfíngica construção
Temperada no fogo
Da quinta fase da lua
Qual Fénix renascida.

Dueto extraído do meu livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos] sob chancela LUA DE MARFIM - 2011

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Liberdade de expressão (2010)

Há coisas que não se devem dizer?
E por que havemos de ficar calados
Quando nos querem ver embuchados
C’os sapos que não devemos comer?

Não me criem limites p’rá liberdade
Não vos admito tamanha intromissão
Mesmo se do meu lado não há razão
Tenho direito à minha expressividade

Já lá vai o tempo, o tempo da censura
E na carne, nossos pais sofreram isso
Mas nos dias d’hoje já demos sumiço

E na democracia não existe ditadura
A todos os velhos do Restelo, atenção
Não abdico da liberdade d’expressão

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vontade (2011)


Ai que vontade!
De te sussurrar montes e vales
numa promessa de tempo
deitados num mar de golfinhos.
Ai que vontade!
De te falar das minhas fases de lua
e ouvir os teus cantos de céu
nas vozes trémulas dos anjos.
Ai que vontade!
De perder toda a consciência
no leito macio de um bosque
e aí depositar um beijo quente.
Ai que vontade!
De me fundir em ti num abraço eterno.
Percorrer as estradas do teu corpo
como um vagabundo sem mapa.
Ai que vontade!
De deitar a cabeça na fonte do teu ventre
deixar-me afogar na tua seiva
e respirar a vida pela primeira vez.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Da tua boca (inédito)

Da tua boca quero um beijo, estou sedento
não existe sede que eu mais queira saciar
dos teus lábios, amor, sorvo o meu alento
e o alento dos teus beijos só tu podes dar

Da tua boca não vem nada, como lamento
que triste é, os teus lábios, eu jamais tocar
feliz seria eu se viesse esse feliz momento
e teus lábios a minha boca viessem beijar

mas a tua boca anda bem longe da minha
e em outra boca tem depositado os beijos
que esta minha boca tanto anseia e deseja

Por isso a minha boca aos poucos definha
e dela apenas se podem ver meros bocejos
como é triste ter uma boca que não beija