sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Um dia (inédito)

Um dia, quando despertares da letargia do sono
e te lembrares da poesia que respirámos juntos
recorda com saudade o meu acordar rubro
e a minha resistência em ser poeta pela manhã.
Um dia, quando te libertares da felicidade do sonho
procura no azul-celeste da tua memória viva
os versos doces que quis escrever no teu corpo
e sente o sal que os meus olhos derramaram
sobre as imaculadas folhas de papel virgem.
Um dia, quando sentires a dureza dos caminhos
e quiseres sarar as cicatrizes da tua existência
reaviva os verdes momentos de esperança
daquelas palavras escritas que um dia te dei.
Um dia, quando confessares a tua essência
e essa verdade que sempre viveu em ti
podes enfantizar as qualidades da poesia
que pensei mas sempre resisti em escrever.
Um dia, depois de ouvires os sinos da partida
e descobrires a cegueira dos meus olhos meigos
aplaude a minha falta de originalidade criativa
e enaltece a forma como lomelinizei a vida.  

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Escrevinhador (inédito)

Gastei o que de melhor havia em mim
a escrever alguns versos sem métrica
sem preocupações a nível de estética
sabendo que fazia outro poema ruim
 
Eu sei por que me desperdicei assim
de uma forma tão vil quanto frenética
sem arrufos de inspiração académica
nem co'a suavidade própria do cetim
 
Sou somente um mero escrevinhador
que se serve da poesia quando quer
deste crime atroz m'acuso e confesso
 
Contudo, dela, também sou devedor
p'lo que já me deu e p'lo que me der
e eu, em retorno, nada mais lhe peço

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sonetos imperfeitos (inédito)

Sem tentar explicar porque escrevo
mas não perdendo a oportunidade
é a expressão da minha liberdade
e dizer mais que isto não me atrevo

Escrever assim, sei que posso e devo
sempre fiz e farei à minha vontade
podem dizer que lhes falta qualidade
e que a poesia assim perde relevo

Aos puristas minhas desculpas peço
metricamente meus versos não meço
estes poemas estão cheios de defeitos

Mas um leitor, desconhecedor e leigo
que a criticar é mais gentil e meigo
dirá que são só sonetos imperfeitos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Mulheres (inédito)

Mulheres que na vida conheci
e atravessaram o meu caminho
por todas sinto eterno carinho
por conhecê-las... eu enriqueci
 
Mulheres que jamais esqueci
e nunca me deixaram sozinho
por algumas tive um fraquinho
mas por todas... amor eu senti
 
Mulheres que geraram o mundo
fontes de amor, vida e criação
convosco fica meu pensamento
 
Sou vosso admirador profundo
adoro-vos no extremo da paixão
na pureza deste nobre sentimento

 

 

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Meu mundo (inédito)


Neste meu mundo calmo e sereno
onde o limite é por mim imposto
sei que passo dar, conheço o terreno
construo a minha vida a meu gosto
 
Neste meu mundo que é pequeno
fico firme sem sair do meu posto
desfruto do que tenho, em pleno
e mantenho limpo este meu rosto
 
Sou um ser de vontades e desejo
ocupo o meu lugar... o meu espaço
a vida que tenho jamais a renego
 
Tudo o que agora quero ou almejo
é sentir de ti aquele quente abraço
e dizer bem alto: "A ti me entrego!"