Gastei o que de melhor havia em mim
a escrever alguns versos sem métrica
sem preocupações a nível de estética
sabendo que fazia outro poema ruim
Eu sei por que me desperdicei assim
de uma forma tão vil quanto frenética
sem arrufos de inspiração académica
nem co'a suavidade própria do cetim
Sou somente um mero escrevinhador
que se serve da poesia quando quer
deste crime atroz m'acuso e confesso
Contudo, dela, também sou devedor
p'lo que já me deu e p'lo que me der
e eu, em retorno, nada mais lhe peço
Sem tentar explicar porque escrevo
mas não perdendo a oportunidade
é a expressão da minha liberdade
e dizer mais que isto não me atrevo
Escrever assim, sei que posso e devo
sempre fiz e farei à minha vontade
podem dizer que lhes falta qualidade
e que a poesia assim perde relevo
Aos puristas minhas desculpas peço
metricamente meus versos não meço
estes poemas estão cheios de defeitos
Mas um leitor, desconhecedor e leigo
que a criticar é mais gentil e meigo
dirá que são só sonetos imperfeitos
Mulheres que na
vida conheci
e atravessaram o
meu caminho
por todas sinto
eterno carinho
por
conhecê-las... eu enriqueci
Mulheres que
jamais esqueci
e nunca me
deixaram sozinho
por algumas tive
um fraquinho
mas por todas...
amor eu senti
Mulheres que
geraram o mundo
fontes de amor,
vida e criação
convosco fica
meu pensamento
Sou vosso
admirador profundo
adoro-vos no
extremo da paixão
na pureza deste
nobre sentimento
Neste meu mundo calmo e sereno
onde o limite é por mim imposto
sei que passo dar, conheço o terreno
construo a minha vida a meu gosto
Neste meu mundo que é pequeno
fico firme sem sair do meu posto
desfruto do que tenho, em pleno
e mantenho limpo este meu rosto
Sou um ser de vontades e desejo
ocupo o meu lugar... o meu espaço
a vida que tenho jamais a renego
Tudo o que agora quero ou almejo
é sentir de ti aquele quente abraço
e dizer bem alto: "A ti me entrego!"
Não sei quem foi aquele que me elegeu
e de poeta, um dia, decidiu chamar-me
nem sei se a sua intenção era tramar-me
ou ironizar com os elogios que me deu
Seja como for, não será esse intento seu
a razão pela qual eu hei-de lamentar-me
ou fazer que da minha voz s'oiça o alarme
de quem sem jogar pense que já perdeu
Porque poeta nunca me achei nem acho
apenas escrevo a poesia que me aflora
nos momentos de sã e maior inspiração
Com espontaneidade, versos despacho
como este poema que me surge agora
em jeito de desabafo e como expiação