terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Escrevinhador (inédito)

Gastei o que de melhor havia em mim
a escrever alguns versos sem métrica
sem preocupações a nível de estética
sabendo que fazia outro poema ruim
 
Eu sei por que me desperdicei assim
de uma forma tão vil quanto frenética
sem arrufos de inspiração académica
nem co'a suavidade própria do cetim
 
Sou somente um mero escrevinhador
que se serve da poesia quando quer
deste crime atroz m'acuso e confesso
 
Contudo, dela, também sou devedor
p'lo que já me deu e p'lo que me der
e eu, em retorno, nada mais lhe peço

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sonetos imperfeitos (inédito)

Sem tentar explicar porque escrevo
mas não perdendo a oportunidade
é a expressão da minha liberdade
e dizer mais que isto não me atrevo

Escrever assim, sei que posso e devo
sempre fiz e farei à minha vontade
podem dizer que lhes falta qualidade
e que a poesia assim perde relevo

Aos puristas minhas desculpas peço
metricamente meus versos não meço
estes poemas estão cheios de defeitos

Mas um leitor, desconhecedor e leigo
que a criticar é mais gentil e meigo
dirá que são só sonetos imperfeitos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Mulheres (inédito)

Mulheres que na vida conheci
e atravessaram o meu caminho
por todas sinto eterno carinho
por conhecê-las... eu enriqueci
 
Mulheres que jamais esqueci
e nunca me deixaram sozinho
por algumas tive um fraquinho
mas por todas... amor eu senti
 
Mulheres que geraram o mundo
fontes de amor, vida e criação
convosco fica meu pensamento
 
Sou vosso admirador profundo
adoro-vos no extremo da paixão
na pureza deste nobre sentimento

 

 

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Meu mundo (inédito)


Neste meu mundo calmo e sereno
onde o limite é por mim imposto
sei que passo dar, conheço o terreno
construo a minha vida a meu gosto
 
Neste meu mundo que é pequeno
fico firme sem sair do meu posto
desfruto do que tenho, em pleno
e mantenho limpo este meu rosto
 
Sou um ser de vontades e desejo
ocupo o meu lugar... o meu espaço
a vida que tenho jamais a renego
 
Tudo o que agora quero ou almejo
é sentir de ti aquele quente abraço
e dizer bem alto: "A ti me entrego!"

domingo, 30 de dezembro de 2012

Em jeito de expiação (inédito)

Não sei quem foi aquele que me elegeu
e de poeta, um dia, decidiu chamar-me
nem sei se a sua intenção era tramar-me
ou ironizar com os elogios que me deu
 
Seja como for, não será esse intento seu
a razão pela qual eu hei-de lamentar-me
ou fazer que da minha voz s'oiça o alarme
de quem sem jogar pense que já perdeu
 
Porque poeta nunca me achei nem acho
apenas escrevo a poesia que me aflora
nos momentos de sã e maior inspiração
 
Com espontaneidade, versos despacho
como este poema que me surge agora
em jeito de desabafo e como expiação