terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Meu mundo (inédito)


Neste meu mundo calmo e sereno
onde o limite é por mim imposto
sei que passo dar, conheço o terreno
construo a minha vida a meu gosto
 
Neste meu mundo que é pequeno
fico firme sem sair do meu posto
desfruto do que tenho, em pleno
e mantenho limpo este meu rosto
 
Sou um ser de vontades e desejo
ocupo o meu lugar... o meu espaço
a vida que tenho jamais a renego
 
Tudo o que agora quero ou almejo
é sentir de ti aquele quente abraço
e dizer bem alto: "A ti me entrego!"

domingo, 30 de dezembro de 2012

Em jeito de expiação (inédito)

Não sei quem foi aquele que me elegeu
e de poeta, um dia, decidiu chamar-me
nem sei se a sua intenção era tramar-me
ou ironizar com os elogios que me deu
 
Seja como for, não será esse intento seu
a razão pela qual eu hei-de lamentar-me
ou fazer que da minha voz s'oiça o alarme
de quem sem jogar pense que já perdeu
 
Porque poeta nunca me achei nem acho
apenas escrevo a poesia que me aflora
nos momentos de sã e maior inspiração
 
Com espontaneidade, versos despacho
como este poema que me surge agora
em jeito de desabafo e como expiação

sábado, 29 de dezembro de 2012

Homónimos (inédito)

Sem saber bem para onde vão
de uma certeza eu não me livro
os poemas não escrevo em vão
antes junto-os e faço um livro

Sem conhecer bem o que são
versos surgem, nem sei como
escrita lunática em corpo são
genética ou fruto do que como

Enquanto a vontade ainda dura
e expresso o que tenho sentido
jamais a colocarei a um canto

Teimosia existe nesta cabeça dura
e o caminho é de um só sentido
por isso meus versos eu canto

 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sina de poeta (inédito)


Não sei o que a poesia me dará no futuro
comigo não trago a minha bola de cristal
apenas espero que seja algo bem especial
a ela dei tudo o que possuía, estou seguro.
 
Desconheço que mais lhe posso dar, juro
se existe, não dei por descuido acidental
e se ela, zangada, me quizer desejar mal
que me puna co'o castigo mais vil e duro.
 
Se assim pretender que me negue versos
sem eles nada do que escrevo faz sentido
e nenhuma outra punição fará mais mossa.
 
Co'as palavras descobri outros universos
na constelação poética me tenho mantido
acontece com todos os poetas, sina nossa.
 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Sorte madrasta (inédito)


De mil versos faço a construção
da Obra que deixarei em legado
em verso livre ou mesmo rimado
sem estilo, lirismo nem erudição.

O que escrevi como inspiração
foi feito sem jeito nem cuidado
vis motes de um pobre coitado
que viu luz na própria escuridão.

Fiz poesia com esmero e atitude
e o estro que por mim s'arrasta
é bastardo da desditosa Virtude.
 
E se a Fortuna de mim se afasta
é por ter certeza qu'esta m'ilude
enteado sou, da Sorte madrasta.