quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sina de poeta (inédito)


Não sei o que a poesia me dará no futuro
comigo não trago a minha bola de cristal
apenas espero que seja algo bem especial
a ela dei tudo o que possuía, estou seguro.
 
Desconheço que mais lhe posso dar, juro
se existe, não dei por descuido acidental
e se ela, zangada, me quizer desejar mal
que me puna co'o castigo mais vil e duro.
 
Se assim pretender que me negue versos
sem eles nada do que escrevo faz sentido
e nenhuma outra punição fará mais mossa.
 
Co'as palavras descobri outros universos
na constelação poética me tenho mantido
acontece com todos os poetas, sina nossa.
 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Sorte madrasta (inédito)


De mil versos faço a construção
da Obra que deixarei em legado
em verso livre ou mesmo rimado
sem estilo, lirismo nem erudição.

O que escrevi como inspiração
foi feito sem jeito nem cuidado
vis motes de um pobre coitado
que viu luz na própria escuridão.

Fiz poesia com esmero e atitude
e o estro que por mim s'arrasta
é bastardo da desditosa Virtude.
 
E se a Fortuna de mim se afasta
é por ter certeza qu'esta m'ilude
enteado sou, da Sorte madrasta.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Vida (inédito)


 
Se a vida não o é sem existir amor
ao qu'até agora vivi não chamo vida
por do sentimento ter andado fugida
e negar sentir-lhe o gosto e o sabor.
 
Se viver é pouco mais que ser um sofredor
e da paixão jamais sofrer arremetida
nem conhecer aquela que foi prometida
então vida nada mais é que constante dor.
 
Se nada mais resta na vida senão sofrer
e as dores sentidas forem a minha sina
qu'as lágrimas vertidas sejam o meu fado.
 
O que o destino tem para m'oferecer
suportarei em cada rua, viela, esquina
até que a vida por mim tenha passado.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Única certeza (inédito)

Quis a vida que tudo tivesse um fim
a tal desejo não se impõe vontade
apesar da tristeza e da saudade
o destino ditou, afastou-te de mim.
 
Se nas estrelas estava escrito assim
e trocam o amor por afinidade
resta a lembrança, preciosidade
dessa tua pele suave como cetim.
 
Se para nós foi este o desenlace
e nada mais nos sobra que memória
aceito a sentença e não reclamo.
 
Eu sei que por muitos planos que se trace
não depende de nós a nossa história
a única certeza é que te amo!

 

 

 

 

domingo, 27 de novembro de 2011

Nosso Fado (inédito)

Numa sala cheia de fumo e gente
quando o silêncio a nós se agarra
ouve-se o trinar de uma guitarra
ouve-se a voz do fado comovente.

Numa cadência certa e imponente
o fadista clama poesia com garra
a viola acompanha-o nesta farra
fado! Qual dos dois mais o sente?

Cantiga boémia, bem portuguesa
bandeira de uma nação tamanha
pátria da melancolia, da saudade.

Cantiga triste mas cheia de beleza
voz dum povo que a vida amanha
nosso fado, filho da portugalidade.