sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vontade (inédito)

Ai que vontade!
De te sussurrar montes e vales
numa promessa de tempo
deitados num mar de golfinhos.
Ai que vontade!
De te falar das minhas fases da lua
e ouvir os teus cantos de céu
nas vozes trémulas dos anjos.
Ai que vontade!
De perder toda a consciência
no leito macio de um bosque
e aí depositar um beijo quente.
Ai que vontade!
De me fundir em ti num abraço eterno.
Percorrer as estradas do teu corpo
como um vagabundo sem mapa.
Ai que vontade!
De deitar a cabeça na fonte do teu ventre
deixar-me afogar na tua seiva
e respirar a vida pela primeira vez.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Toque (inédito)

Nas sombras do recato
deste-me a tua mão
despida de adornos.
Entrelaçámos os dedos
e na macieza do meu toque
senti o contacto da tua pele
que é minha.
No sabor dos teus lábios
encontrei os postigos dos meus olhos
e cego de sentidos
vislumbrei o teu corpo nu.
Na sonoridade do teu desejo
descobri a dor prazerosa
de te possuir inteira
sem te ter.
Mas certo da redenção
no azul das tuas curvas
ressuscitarei.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Belo anjo (inédito)

Quando, em vias de perder a esperança
um anjo, vindo do céu, caiu a meus pés
lançou-me um feitiço, um olhar de viés
penetrou-me com sageza e perseverança

deixou cravada no meu peito a sua lança
e encharcou-me com água de mil marés
logo meu coração ganhou força de dez
e se encantou pelo seu jeito de criança

eu sei, belo anjo, qual a tua motivação
sei também que fazes tudo sem alarde
e sou o alvo desse teu afecto e fervor

se bem conheço o meu pobre coração
garanto que mais cedo ou mais tarde
por ti, belo anjo, se inundará de amor


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Despedida (inédito)

É horrível o que tenho para te dizer
sei que dizê-lo eu já deveria ter feito
perdoa-me não encontro melhor jeito
nem forma mais suave de o fazer

a tua imagem continua a esvaecer
nada mais és que, do amor, conceito
perdão peço por não ser perfeito
e agora de ti me estar a esquecer

mas a vida, traiçoeira, assim quis
que encontrasse o que procurava
após longos anos de vil solidão

vou aproveitar para ser muito feliz
finalmente tenho o que me faltava
uma mulher que me deu seu coração

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

VIDA (inédito)

Tantos poemas já escrevi sobre a vida
e muitos mais ainda tenho de escrever
porque dela há sempre algo a aprender
e apenas assim vale a pena ser vivida

Palavras de carinho e de fúria contida
tanto choro, tanta alegria, tanto sofrer
tanta questão que fica por responder
somente uma ou outra foi respondida

Por mais que pense que tudo foi dito
logo aparece algo que me diz que não
e a dúvida persiste e assim continua

É um tema inesgotável, agora acredito
a vida está em permanente evolução
e o mistério, a própria vida perpetua