Quando deixei estes Deuses irmãos à beira mar
segui o meu calvário, pus meus pés ao caminho
parti na certeza de por mim ficarem então e zelar
ficaram no meu coração "Nunca ficarás sozinho"
Caminhei por montes e vales, de noite e de dia
até o cansaço ser muito e falar bem mais alto
muitos os rios que atravessei, fiz a travessia
subi e desci montes para acampar num planalto
Não vos sei mesmo dizer quantas horas eu dormi
mas há muito que não dormia assim tranquilo
ao acordar fiquei pasmado com o que então vi
não acreditei nos meus olhos "O que é aquilo?"
Na minha frente estava um velho esfarrapado
que olhava para mim com demasiado interesse
à beira do rio tinha um simples bote atracado
fui ao seu encontro sem que nada me dissesse
"Quem és tu ó velho barqueiro" inquiri curioso
ao que simplesmente respondeu "Sou Caronte"
era velho, muito velho, diria mesmo muito idoso
"Trabalho neste rio que abarca todo o horizonte"
"Porque não entras no meu barco? Anda, vem"
"não sai muito cara esta derradeira viagem"
perguntei " Vais já partir? Não há mais ninguém?"
"o que posso eu querer ver na outra margem?
Caronte não sabia ou não me quis responder
mas a resposta há muito tempo já eu a conhecia
este é o transporte para quem acaba de morrer
e conhecer o profundo Hades eu ainda não queria
"Ainda é cedo para essa travessia eu poder fazer"
"a minha vida não acabou, espera-me melhor"
Caronte perguntou "Que estás tu para aí a dizer?"
respondi "Nada digo. Sou filho de um Deus menor"
sábado, 14 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Caminhos 4 - O choro de Apolo
Passado que estava o momento embaraçoso
a doce Deusa Ártemis logo me explicou
os porquês do seu súbito estado nervoso
"Foi o meu querido irmão Apolo que passou"
Senti alguma preocupação no divinal rosto
mas não perguntei absolutamente nada
li na sua face um incontornável desgosto
a minha formosa Deusa estava perturbada
Limitei-me a seguir os seus celestiais passos
em silêncio, atrás de Ártemis eu caminhei
chorava a Deusa, ouvi-a soluçar a espaços
por amor à bela Ártemis, também eu chorei
Pressenti uma história, sem saber o enredo
por fim senti chegado o nosso objectivo
um calafrio percorreu meu corpo, era medo
junto ao mar estava Apolo, eis o motivo
"Não temas" avisou Ártemis com confiança
"Junto a mim estás seguro" confiei cegamente
Apolo chorava como uma imberbe criança
deixei de vê-lo como Deus, vi-o como gente
"Porque choras meu querido e excelso irmão?"
"que mal aconteceu para tua celeste tristeza?"
Apolo demorou a responder para sua aflição
e quando respondeu utilizou uma certa dureza
"Maldito Zéfiro, filho ignóbil de Deus profano"
"é ele o causador deste choro e do meu brado"
e a mim disse:" Não te quero mal a ti humano"
"choro assim por ter perdido um mortal amado"
Tranquilo disse-lhe:" Pela tua perda muito sinto"
"de quem falas tu ó sublime Deus?" perguntei
"Falo de um jovem muito belo chamado Jacinto"
"que por culpa desse vento maldito, eu matei"
"Descansa irmão que Jacinto será lembrado"
disse Ártemis conseguindo aplacar-lhe a dor
"No local onde morreu, seu sangue derramado"
"nascerá de novo o teu Jacinto, uma nova flor"
a doce Deusa Ártemis logo me explicou
os porquês do seu súbito estado nervoso
"Foi o meu querido irmão Apolo que passou"
Senti alguma preocupação no divinal rosto
mas não perguntei absolutamente nada
li na sua face um incontornável desgosto
a minha formosa Deusa estava perturbada
Limitei-me a seguir os seus celestiais passos
em silêncio, atrás de Ártemis eu caminhei
chorava a Deusa, ouvi-a soluçar a espaços
por amor à bela Ártemis, também eu chorei
Pressenti uma história, sem saber o enredo
por fim senti chegado o nosso objectivo
um calafrio percorreu meu corpo, era medo
junto ao mar estava Apolo, eis o motivo
"Não temas" avisou Ártemis com confiança
"Junto a mim estás seguro" confiei cegamente
Apolo chorava como uma imberbe criança
deixei de vê-lo como Deus, vi-o como gente
"Porque choras meu querido e excelso irmão?"
"que mal aconteceu para tua celeste tristeza?"
Apolo demorou a responder para sua aflição
e quando respondeu utilizou uma certa dureza
"Maldito Zéfiro, filho ignóbil de Deus profano"
"é ele o causador deste choro e do meu brado"
e a mim disse:" Não te quero mal a ti humano"
"choro assim por ter perdido um mortal amado"
Tranquilo disse-lhe:" Pela tua perda muito sinto"
"de quem falas tu ó sublime Deus?" perguntei
"Falo de um jovem muito belo chamado Jacinto"
"que por culpa desse vento maldito, eu matei"
"Descansa irmão que Jacinto será lembrado"
disse Ártemis conseguindo aplacar-lhe a dor
"No local onde morreu, seu sangue derramado"
"nascerá de novo o teu Jacinto, uma nova flor"
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Caminhos 3 - Momento embaraçoso
Caminhei por mil reinos desta terra
poucos foram os que me deram guarida
atravessei regiões sempre em guerra
onde a paz não existe sendo querida.
Ártemis esteve sempre do meu lado
mesmo quando mais ninguém a via
e sendo eu, por inimigos, capturado
nunca deixei de ter a sua companhia
"Porque me acompanhas Deusa formosa?"
perguntei-lhe um dia, após uma batalha
"Apenas porque sou uma Deusa teimosa"
"que não se atemoriza quando Zeus ralha"
"Sou um pouco como tu, ó bravo mortal"
"simpatizo contigo só por seres valente"
estas palavras fizeram-me sentir especial
"O que me dizes deixa-me muito contente"
"Esconde-te em minhas vestes" gritou ela
assim o fiz por sentir toda a sua urgência
agarrei-me ao seu corpo sob curta farpela
a visão que tive quase me levou à demência.
A minha condição de mero humano mortal
nunca se fez sentir com tamanha intensidade
estando eu encostado a um belo corpo fatal
não há homem que aguente, essa é a verdade.
"O perigo já passou" sussurrou " Podes sair"
rubro de embaraço, às suas ordens obedeci
"Tens a carne fraca" acusou sempre a sorrir
não disse uma só palavra e apenas enrubesci.
"Não te acanhes por sentires em ti o desejo"
"mas desilude-te, meu destino é a castidade"
sorriu-me docilmente e soprou-me um beijo
achei-me feliz apenas por sentir a proximidade.
poucos foram os que me deram guarida
atravessei regiões sempre em guerra
onde a paz não existe sendo querida.
Ártemis esteve sempre do meu lado
mesmo quando mais ninguém a via
e sendo eu, por inimigos, capturado
nunca deixei de ter a sua companhia
"Porque me acompanhas Deusa formosa?"
perguntei-lhe um dia, após uma batalha
"Apenas porque sou uma Deusa teimosa"
"que não se atemoriza quando Zeus ralha"
"Sou um pouco como tu, ó bravo mortal"
"simpatizo contigo só por seres valente"
estas palavras fizeram-me sentir especial
"O que me dizes deixa-me muito contente"
"Esconde-te em minhas vestes" gritou ela
assim o fiz por sentir toda a sua urgência
agarrei-me ao seu corpo sob curta farpela
a visão que tive quase me levou à demência.
A minha condição de mero humano mortal
nunca se fez sentir com tamanha intensidade
estando eu encostado a um belo corpo fatal
não há homem que aguente, essa é a verdade.
"O perigo já passou" sussurrou " Podes sair"
rubro de embaraço, às suas ordens obedeci
"Tens a carne fraca" acusou sempre a sorrir
não disse uma só palavra e apenas enrubesci.
"Não te acanhes por sentires em ti o desejo"
"mas desilude-te, meu destino é a castidade"
sorriu-me docilmente e soprou-me um beijo
achei-me feliz apenas por sentir a proximidade.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Caminhos 2 - Adeus Hércules! Olá Ártemis!
Conheci Hércules quase no fim da sua vida
muito depois dos doze serviços a Euristeu
foi-me muito difícil superar a despedida
ver um amigo queimado na pira que concebeu.
Mas a sua violenta morte foi apenas o início
após ser cremado, ganhou a imortalidade
depois do Equinócio vem sempre o Solstício
em mim ficou a recordação e a amizade.
Confesso que fiquei um pouco perdido
nas minhas palavras até eu próprio me enrolo
vagueei por este mundo fora, algo aturdido
até encontrar Ártemis, Deusa irmã de Apolo.
"Quanta sensualidade em vestes de caçadora"
pensei quando a casta Deusa se apresentou
"Agora serei eu a tua guia protectora"
afagou-me o rosto onde um beijo depositou.
"Não julgues que será mais fácil para ti"
"o resto da tua cruzada neste eterno degredo"
perante estas palavras apenas lhe sorri
"Junto de ti Deusa, jamais sentirei medo".
Ela riu, como uma Deusa deve sempre rir
devolveu-me o sorriso e puxou-me pela mão
"Vem, chegou a hora da viagem prosseguir"
"aceleremos o passo, vem aí o meu irmão".
Olhei em redor e não vislumbrei nenhum Deus
mas confiei na hora no que Ártemis me dizia
"Podes olhar, mas fracos são esses olhos teus"
afirmou convictamente, atrás dela eu seguia.
"Para mortal tens demasiada ousadia e coragem"
"desafiaste todos os Deuses sem algum receio"
"por isso sofrerás durante toda esta viagem"
"e ainda nem sequer chegaste perto do meio".
Eu escutei com atenção a sua melodiosa voz
e em silêncio pensava na sua divina beleza
"Como ousaste fazer frente a todos nós?"
"tu és mais fraco, mas admiro tua destreza".
Dito isto enrubesci, mas a viagem prosseguiu
Eu e a belíssima Deusa Ártemis, lado a lado
par igual nunca no mundo alguém viu
uma Deusa faladora e um mortal calado.
muito depois dos doze serviços a Euristeu
foi-me muito difícil superar a despedida
ver um amigo queimado na pira que concebeu.
Mas a sua violenta morte foi apenas o início
após ser cremado, ganhou a imortalidade
depois do Equinócio vem sempre o Solstício
em mim ficou a recordação e a amizade.
Confesso que fiquei um pouco perdido
nas minhas palavras até eu próprio me enrolo
vagueei por este mundo fora, algo aturdido
até encontrar Ártemis, Deusa irmã de Apolo.
"Quanta sensualidade em vestes de caçadora"
pensei quando a casta Deusa se apresentou
"Agora serei eu a tua guia protectora"
afagou-me o rosto onde um beijo depositou.
"Não julgues que será mais fácil para ti"
"o resto da tua cruzada neste eterno degredo"
perante estas palavras apenas lhe sorri
"Junto de ti Deusa, jamais sentirei medo".
Ela riu, como uma Deusa deve sempre rir
devolveu-me o sorriso e puxou-me pela mão
"Vem, chegou a hora da viagem prosseguir"
"aceleremos o passo, vem aí o meu irmão".
Olhei em redor e não vislumbrei nenhum Deus
mas confiei na hora no que Ártemis me dizia
"Podes olhar, mas fracos são esses olhos teus"
afirmou convictamente, atrás dela eu seguia.
"Para mortal tens demasiada ousadia e coragem"
"desafiaste todos os Deuses sem algum receio"
"por isso sofrerás durante toda esta viagem"
"e ainda nem sequer chegaste perto do meio".
Eu escutei com atenção a sua melodiosa voz
e em silêncio pensava na sua divina beleza
"Como ousaste fazer frente a todos nós?"
"tu és mais fraco, mas admiro tua destreza".
Dito isto enrubesci, mas a viagem prosseguiu
Eu e a belíssima Deusa Ártemis, lado a lado
par igual nunca no mundo alguém viu
uma Deusa faladora e um mortal calado.
domingo, 1 de agosto de 2010
Caminhos - Introdução
Sou filho de um Deus não referenciado
por esse motivo caí na ira da divindade
pelo tribunal do Olimpo fui condenado
o próprio Zeus me negou a felicidade
"Segue o teu próprio caminho ó mortal"
Gritou-me Apolo com funesto desdém
como se a minha vida lhe fizesse mal
e o meu pai celestial não fosse ninguém
Fiz-me à estrada sem qualquer rancor
"Quem precisa dos Deuses?" pensei
"Vou em busca de um grande amor"
"P'ró Inferno este Olimpo sujo" gritei
Ainda ouvi as gargalhadas celestiais
nunca olhei para trás, segui em frente
"Ao real Olimpo não voltarei mais"
"Não me merece, este tipo de gente"
Zeus ouviu todos os meus pensamentos
pressentiu em mim uma notável atitude
aumentaram então os meus tormentos
"Talvez assim ele compreenda e mude!"
Em meu auxilio veio Hércules mortal
deu-me o apoio que eu mais precisava
a sua companhia fez-me sentir especial
só tinha um defeito... nunca se calava
Juntos andámos pelas terras deste mundo
combatemos, lado a lado, mil mafarricos
transpusemos um érebo sujo e profundo
onde ardem, em lume brando, os ricos
Bebemos e ceámos em imundas tavernas
saboreámos iguarias em reinos encantados
pernoitámos em palácios e em cavernas
pelos Deuses fomos seguidos e vigiados
Desde então vivi mil inusitadas aventuras
estou mais que preparado para vos contar
peripécias cómicas e momentos de tortura
feitos heróicos e outros de envergonhar
Conheci Deuses de diversas civilizações
por vezes o mesmo com nomes diferentes
vi-me envolvido em revoltas e revoluções
privei com Reis, Imperadores e indigentes
por esse motivo caí na ira da divindade
pelo tribunal do Olimpo fui condenado
o próprio Zeus me negou a felicidade
"Segue o teu próprio caminho ó mortal"
Gritou-me Apolo com funesto desdém
como se a minha vida lhe fizesse mal
e o meu pai celestial não fosse ninguém
Fiz-me à estrada sem qualquer rancor
"Quem precisa dos Deuses?" pensei
"Vou em busca de um grande amor"
"P'ró Inferno este Olimpo sujo" gritei
Ainda ouvi as gargalhadas celestiais
nunca olhei para trás, segui em frente
"Ao real Olimpo não voltarei mais"
"Não me merece, este tipo de gente"
Zeus ouviu todos os meus pensamentos
pressentiu em mim uma notável atitude
aumentaram então os meus tormentos
"Talvez assim ele compreenda e mude!"
Em meu auxilio veio Hércules mortal
deu-me o apoio que eu mais precisava
a sua companhia fez-me sentir especial
só tinha um defeito... nunca se calava
Juntos andámos pelas terras deste mundo
combatemos, lado a lado, mil mafarricos
transpusemos um érebo sujo e profundo
onde ardem, em lume brando, os ricos
Bebemos e ceámos em imundas tavernas
saboreámos iguarias em reinos encantados
pernoitámos em palácios e em cavernas
pelos Deuses fomos seguidos e vigiados
Desde então vivi mil inusitadas aventuras
estou mais que preparado para vos contar
peripécias cómicas e momentos de tortura
feitos heróicos e outros de envergonhar
Conheci Deuses de diversas civilizações
por vezes o mesmo com nomes diferentes
vi-me envolvido em revoltas e revoluções
privei com Reis, Imperadores e indigentes
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