Conheci Hércules quase no fim da sua vida
muito depois dos doze serviços a Euristeu
foi-me muito difícil superar a despedida
ver um amigo queimado na pira que concebeu.
Mas a sua violenta morte foi apenas o início
após ser cremado, ganhou a imortalidade
depois do Equinócio vem sempre o Solstício
em mim ficou a recordação e a amizade.
Confesso que fiquei um pouco perdido
nas minhas palavras até eu próprio me enrolo
vagueei por este mundo fora, algo aturdido
até encontrar Ártemis, Deusa irmã de Apolo.
"Quanta sensualidade em vestes de caçadora"
pensei quando a casta Deusa se apresentou
"Agora serei eu a tua guia protectora"
afagou-me o rosto onde um beijo depositou.
"Não julgues que será mais fácil para ti"
"o resto da tua cruzada neste eterno degredo"
perante estas palavras apenas lhe sorri
"Junto de ti Deusa, jamais sentirei medo".
Ela riu, como uma Deusa deve sempre rir
devolveu-me o sorriso e puxou-me pela mão
"Vem, chegou a hora da viagem prosseguir"
"aceleremos o passo, vem aí o meu irmão".
Olhei em redor e não vislumbrei nenhum Deus
mas confiei na hora no que Ártemis me dizia
"Podes olhar, mas fracos são esses olhos teus"
afirmou convictamente, atrás dela eu seguia.
"Para mortal tens demasiada ousadia e coragem"
"desafiaste todos os Deuses sem algum receio"
"por isso sofrerás durante toda esta viagem"
"e ainda nem sequer chegaste perto do meio".
Eu escutei com atenção a sua melodiosa voz
e em silêncio pensava na sua divina beleza
"Como ousaste fazer frente a todos nós?"
"tu és mais fraco, mas admiro tua destreza".
Dito isto enrubesci, mas a viagem prosseguiu
Eu e a belíssima Deusa Ártemis, lado a lado
par igual nunca no mundo alguém viu
uma Deusa faladora e um mortal calado.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Caminhos - Introdução
Sou filho de um Deus não referenciado
por esse motivo caí na ira da divindade
pelo tribunal do Olimpo fui condenado
o próprio Zeus me negou a felicidade
"Segue o teu próprio caminho ó mortal"
Gritou-me Apolo com funesto desdém
como se a minha vida lhe fizesse mal
e o meu pai celestial não fosse ninguém
Fiz-me à estrada sem qualquer rancor
"Quem precisa dos Deuses?" pensei
"Vou em busca de um grande amor"
"P'ró Inferno este Olimpo sujo" gritei
Ainda ouvi as gargalhadas celestiais
nunca olhei para trás, segui em frente
"Ao real Olimpo não voltarei mais"
"Não me merece, este tipo de gente"
Zeus ouviu todos os meus pensamentos
pressentiu em mim uma notável atitude
aumentaram então os meus tormentos
"Talvez assim ele compreenda e mude!"
Em meu auxilio veio Hércules mortal
deu-me o apoio que eu mais precisava
a sua companhia fez-me sentir especial
só tinha um defeito... nunca se calava
Juntos andámos pelas terras deste mundo
combatemos, lado a lado, mil mafarricos
transpusemos um érebo sujo e profundo
onde ardem, em lume brando, os ricos
Bebemos e ceámos em imundas tavernas
saboreámos iguarias em reinos encantados
pernoitámos em palácios e em cavernas
pelos Deuses fomos seguidos e vigiados
Desde então vivi mil inusitadas aventuras
estou mais que preparado para vos contar
peripécias cómicas e momentos de tortura
feitos heróicos e outros de envergonhar
Conheci Deuses de diversas civilizações
por vezes o mesmo com nomes diferentes
vi-me envolvido em revoltas e revoluções
privei com Reis, Imperadores e indigentes
por esse motivo caí na ira da divindade
pelo tribunal do Olimpo fui condenado
o próprio Zeus me negou a felicidade
"Segue o teu próprio caminho ó mortal"
Gritou-me Apolo com funesto desdém
como se a minha vida lhe fizesse mal
e o meu pai celestial não fosse ninguém
Fiz-me à estrada sem qualquer rancor
"Quem precisa dos Deuses?" pensei
"Vou em busca de um grande amor"
"P'ró Inferno este Olimpo sujo" gritei
Ainda ouvi as gargalhadas celestiais
nunca olhei para trás, segui em frente
"Ao real Olimpo não voltarei mais"
"Não me merece, este tipo de gente"
Zeus ouviu todos os meus pensamentos
pressentiu em mim uma notável atitude
aumentaram então os meus tormentos
"Talvez assim ele compreenda e mude!"
Em meu auxilio veio Hércules mortal
deu-me o apoio que eu mais precisava
a sua companhia fez-me sentir especial
só tinha um defeito... nunca se calava
Juntos andámos pelas terras deste mundo
combatemos, lado a lado, mil mafarricos
transpusemos um érebo sujo e profundo
onde ardem, em lume brando, os ricos
Bebemos e ceámos em imundas tavernas
saboreámos iguarias em reinos encantados
pernoitámos em palácios e em cavernas
pelos Deuses fomos seguidos e vigiados
Desde então vivi mil inusitadas aventuras
estou mais que preparado para vos contar
peripécias cómicas e momentos de tortura
feitos heróicos e outros de envergonhar
Conheci Deuses de diversas civilizações
por vezes o mesmo com nomes diferentes
vi-me envolvido em revoltas e revoluções
privei com Reis, Imperadores e indigentes
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Poema de amigo
Como me orgulho de gritar para o mundo
O que meu coração sente e a alma exalta
Faço compasso de espera e respiro fundo
Tendo-te por amigo, nada mais faz falta
Sou feliz desde a hora em que te conheci
Sou mais rico pela tua constante presença
Em ti, algo de maravilhoso, eu descobri
Esse teu modo singular marca a diferença
Sei que posso contar contigo na desgraça
A reciprocidade também existe deste lado
Nem só nas horas boas tu foste comparsa
Também estiveste no instante complicado
Em teus braços encontro porto de abrigo
Dás-me a necessária segurança de aço
Estou abençoado por te ter como amigo
E desta linda amizade eu não me desfaço
Ainda que na segunda pessoa eu insista
Este poema não é para ninguém particular
A quem servir esta pele, então que a vista
O poema é para quem assim se identificar
Este poema foi extraído do meu primeiro livro, AMADOR DO VERSO, e acho que se encaixa na perfeição no tema proposto pelos amigos do ESPAÇO ABERTO nesta nova blogagem colectiva.
Desde que decidi criar um blogue no blogspot, muitos têm sido os amigos e amigas com quem, por diversas razões, tenho desenvolvido alguma afinidade. Alguns até já conheci pessoalmente e posso dizer que a amizade transpôs a fronteira da virtualidade transformando-se em amizade bem real e palpável. Outros há que, sem que nos tivessemos conhecido pessoalmente, são igualmente importantes e fazem parte dos contactos que não quero perder;antes pelo contrário; pois a cada dia enriquecem-me mais. A lista é extensa, mas permitam-me fazer referência a meia dúzia de pessoas que me têm marcado ao longo deste tempo apesar da distância que nos separa e dos problemas pessoais que me têm impedido de interagir com a assiduidade pretendida. São elas: MARIA BÓZOLI, REGGINA MOON, ADRIANA LEAL e TATIANA MOREIRA, que têm estado comigo desde o início, amizades que eu muito estimo e cujo carinho transmitido
agradeço; RAFAEL CASTELLAR DAS NEVES, um parceiro tupiniquim; FLÁVIO MORGADO, jovem poeta que sempre deixa comentários motivadores; FLOR ALPINA, uma conterrânea que tem acompanhado os meus vários blogues, desde a Suiça, e que sempre deixa palavras carinhosas que muito me motivam; SONHADORA, outra conterrânea que sempre aparece para deixar o seu carinho e amizade; e DEIA uma seguidora mais recente cujos comentários marcam a diferença e enriquecem cada um dos poemas que aqui ponho ao vosso escrutínio.
Eu acredito que as amizades não se devem agradecer mas sim desfrutar, e eu desfruto não só destas mas de todas as amizades que a blogosfera me têm permitido fazer.
sábado, 24 de julho de 2010
Receita
Ataviado de cozinheiro, tomo o comando
aqueço minha sabedoria em lume brando
procuro os ingredientes para este refogado
uma colher de memórias, vou cozinhando
um pouco de experiência vou acumulando
assim confecciono sem receita a meu lado
Sem gramas de remorso por tudo que vivi
meio quilo de mágoas pelo amor que perdi
tempero que nesta vida sempre me faltou
uma pitada de conformismo p'lo que senti
meia dose de pecado cuja culpa já assumi
pós de desleixo que este coração queimou
Uma fatia de alma recheada de amargura
que misturo ao preparado antes da fervura
já falta pouco para revelar o meu segredo
aos sabores amargos junto alguma doçura
umas folhas de afecto para lhe dar textura
revolvo bem para não azedar com o medo
Esta cozedura está prestes a chegar ao fim
dou por terminada a receita criada por mim
embora falte uma sobremesa a esta refeição
um pouco de paz, cores e cheiro de alecrim
regado com aromas de rosas do meu jardim
e bebidas num cálice de cristalina inspiração
Este poema surgiu depois de ler o comentário que a minha amiga TATIANA MOREIRA deixou no poema anterior.
aqueço minha sabedoria em lume brando
procuro os ingredientes para este refogado
uma colher de memórias, vou cozinhando
um pouco de experiência vou acumulando
assim confecciono sem receita a meu lado
Sem gramas de remorso por tudo que vivi
meio quilo de mágoas pelo amor que perdi
tempero que nesta vida sempre me faltou
uma pitada de conformismo p'lo que senti
meia dose de pecado cuja culpa já assumi
pós de desleixo que este coração queimou
Uma fatia de alma recheada de amargura
que misturo ao preparado antes da fervura
já falta pouco para revelar o meu segredo
aos sabores amargos junto alguma doçura
umas folhas de afecto para lhe dar textura
revolvo bem para não azedar com o medo
Esta cozedura está prestes a chegar ao fim
dou por terminada a receita criada por mim
embora falte uma sobremesa a esta refeição
um pouco de paz, cores e cheiro de alecrim
regado com aromas de rosas do meu jardim
e bebidas num cálice de cristalina inspiração
Este poema surgiu depois de ler o comentário que a minha amiga TATIANA MOREIRA deixou no poema anterior.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Pecado
Atingido fatalmente pelo raio do trovão
chamuscou-se o músculo do meu peito
como marca dos Deuses num seu eleito
por crimes atrozes sem direito a perdão
Mortal fiquei e com mancha no coração
à vontade dos Divos eternamente sujeito
afinal, eu fiz a cama onde hoje me deito
e o que vivo, do que fiz, é vil retaliação
Conheço todos os pecados que perpetrei
distingo bem todas as falhas que obrei
de todos, sou o primeiro em penitência
A razão de cada pecado apenas eu a sei
amargo foi o sabor que de todos provei
afinal cada acto tem a sua consequência
chamuscou-se o músculo do meu peito
como marca dos Deuses num seu eleito
por crimes atrozes sem direito a perdão
Mortal fiquei e com mancha no coração
à vontade dos Divos eternamente sujeito
afinal, eu fiz a cama onde hoje me deito
e o que vivo, do que fiz, é vil retaliação
Conheço todos os pecados que perpetrei
distingo bem todas as falhas que obrei
de todos, sou o primeiro em penitência
A razão de cada pecado apenas eu a sei
amargo foi o sabor que de todos provei
afinal cada acto tem a sua consequência
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