sábado, 12 de dezembro de 2009

Vontades dos Deuses

Se os Deuses me permitissem a ousadia
daria ao mundo um poema derradeiro
encerrava nele toda a beleza da poesia
e a mensagem correria o mundo inteiro

Se os Deuses me deixassem ser poeta
escreveria mil versos de eterna paixão
comporia um longo discurso de profeta
que o mundo declamaria como oração

Se os Deuses estivessem do meu lado
e soprassem os versos que mais amo
os meus poemas seriam o meu legado

Se os Deuses preferissem um aprendiz
de mim sairiam os poemas que clamo
e o mundo só poderia mesmo ser feliz

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Minha génese

Foste, és e serás sempre a minha paixão
mulher guerreira, em vias de extinção
nunca na vida conheci ninguém igual
és a génese de tudo o que agora sou
foste a mestra que sempre me ensinou
contigo aprendi a ser alguém especial

Foram muitas as agruras que a vida deu
não cedeste, teu ânimo não esmoreceu
ainda hoje vais à luta, não viras a cara
nunca vi no teu rosto sinal de teres medo
se algum dia tiveste, guardaste segredo
és tenaz, lutadora e todo o mundo repara

Jamais ouvi da tua boca um queixume
és combustão, labareda de outro lume
sempre pronta para a tristeza combater
com esse olhar cheio de determinação
estiveste sempre disposta a dar a mão
és amor, que melhor mãe poderia eu ter

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Poema de amigo

Como me orgulho de gritar ao mundo
o que meu coração sente e a alma exalta
faço compasso de espera e respiro fundo
tendo-te por amigo, nada mais me faz falta

Sou feliz desde a hora em que te conheci
sou mais rico pela tua constante presença
em ti, algo de maravilhoso, eu descobri
esse teu modo singular marca a diferença

Sei que posso contar contigo na desgraça
a reciprocidade também existe deste lado
nem só nas horas boas foste comparsa
também estiveste no instante complicado

Em teus braços encontro porto de abrigo
dás-me a necessária segurança de aço
estou abençoado por te ter como amigo
e desta linda amizade eu não me desfaço

Ainda que na segunda pessoa eu insista
este poema não é para ninguém particular
a quem servir esta pele, então que a vista
o poema é para quem assim se identificar

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Guerreira

Quando chegares ao fim da tua cruzada
faz por pensar em mim e em mais nada
imagina o meu sorriso pelo teu sucesso
afasta de ti tudo o que te deixa magoada
protege bem a vida que te foi destinada
vive um dia de cada vez, sem excesso

Quando te sentires sozinha ou desertada
não tenhas pena, não foste abandonada
tens amigos no mundo que zelam por ti
pensa que neste instante és uma felizarda
por estares, profissionalmente, realizada
diz em voz alta: Foi por isto que me bati!

E se a saudade aparecer de madrugada
fecha-lhe a porta, recusa-lhe a entrada
medita nos bons momentos da tua vida
verás que esta fase nem é complicada
para os obstáculos, estás bem preparada
e eu sei que és uma guerreira destemida

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mulher coragem

Rituais penosos que revoltam
os gritos mudos que se soltam
ai! Este silêncio ensurdecedor
sonhos de felicidade roubados
princípios morais adulterados
sem vergonha do perpetuador

Sentimentos apenas explicados
por quem viveu maus bocados
sem ombro qu'aceite a verdade
medos que só os medos exortam
medos gastos que ainda voltam
provocando medos de ansiedade

Palavras nefastas que degolam
são como fogo lento e imolam
pura vileza, acto de sabotagem
medos eternos à alma colados
numa voz sem medo, revelados
grito d'alerta, mulher coragem


Este poema é dedicado à escritora ANTÓNIA SERAFIM, uma mulher coragem.