terça-feira, 29 de setembro de 2009

Elos

Letra a letra
forma-se uma palavra.
Palavra a palavra
nasce um verso.
Verso a verso
constrói-se um poema.
Poema a poema
germina uma poesia.
Poesia a poesia
revela-se uma vida.
Vida a vida
refaz-se uma certeza.
Certeza a certeza
liberta-se uma verdade.
Verdade a verdade
edifica-se um saber.
Saber a saber
ergue-se um conhecimento.
Conhecimento a conhecimento
ganha-se a liberdade.
Escreve uma letra e serás livre.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Leio

Leio a poesia consagrada
escrita pelos poetas mestres
e vou bebendo a sabedoria
que desejo ter em meus versos.
Leio os poemas mais afamados
escritos pelos poetas fundamentais
e tento aprender conceitos
que divinizem a minha poesia.
Leio os cantos mais sublimes
versejados pelas vozes exímias
e tento redigir meus textos
com sentimento e paixão.
Leio a poesia universal
inventada pelos trovadores
e procuro a excelência
estampada nas minhas letras.
Leio palavras por forjar
compostas pelos poetas imortais
e sonho ser mais que rimador
mais que aprendiz de poeta.

domingo, 27 de setembro de 2009

Aos poetas e poetisas da blogosfera

Vastos mundos
realidades diferentes.
Sentimentos iguais
justificados na desigualdade.
Vidas distintas, certezas comuns
cada um com seu modo de expressar.
Poetas e poetisas de carne e osso
vozes anónimas que falam e explicam
os porquês da singularidade
dos seus pensamentos.
Punhos que riscam individualidade
em temas colectivos.
Vidas contadas em poesia
poemas que são vida.
Verbos de significâncias várias
adjectivações singulares.
Por cada sentimento mil explicações
por cada medo mil reacções
por cada poeta um olhar
em cada poema um trecho de vida.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mais

Mais que sonhador
eu sou o próprio sonho
personagem de mim mesmo.
Ando de desejo em desejo
sem encontrar uma só realização.
Mais que esperançoso
sou a própria esperança
teimosia do meu ser.
Vou de porta em porta
sem encontrar uma só motivação.
Mais que inventivo
sou a própria invenção
criações do meu intelecto.
Viajo de ideia em ideia
sem encontrar o meu equilíbrio.
Mais que tudo
eu sou o nada
vazio imenso que sou.
Ausência ou omnipresença
aqui estou sem me encontrar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Poeta arqueólogo

Poeta que estás por vir
arqueólogo do futuro
que meus poemas vais desenterrar
a ti te peço delicadeza
perante o que agora escrevo.
Não tentes escavar significados
nada de oculto existe na minha poesia.
Não procures intenções escondidas
nos versos que fiz e faço.
Não queiras que meus poemas
sejam a tua verdade.
Não autopsies o meu legado.
A minha poesia não está
nem nunca estará morta
e sobreviverá à minha existência.
Todos os meus versos são claros
tal qual as estrelas têm luz própria.
Estes meus poemas que vais encontrar
ler
estudar
declamar
contestar
discutir
plagiar
são pedaços do meu sentir
trechos do meu pensar
momentos da minha vida.
A ti poeta do futuro
arqueólogo da minha obra
peço vergado pela humildade
não desfigures a minha poesia
não mates o que restará de mim
após a minha transformação.