domingo, 23 de agosto de 2009

Nada

Sem saber muito bem do que escrever

porque estou leve, bem tranquilo

podia escrever sobre isto e aquilo

e por aí fora eu poderia continuar

Como acredito poder falar de nada

mesmo sem tema eu posso escrever

apenas como um modo de entreter

vou escrever esta poesia imaculada

Hoje não haverá nenhum sentimento

muito menos uma situação de vida

não há amor ou paixão em destaque

Amanhã quem sabe, existirá lamento

talvez até uma frustração acometida

ou de apenas nada, mais outro ataque

sábado, 22 de agosto de 2009

Dona do meu coração

O meu coração é pobre
para albergar tão ricos sentimentos.
Dou por mim a pensar
que divino presente é este
que o destino me ofertou
e ao qual só eu...
apenas eu...
tenho acesso.
Apenas eu, porque tu
que nele habitas
que nele fizeste questão de morar
não o queres desocupar
não o queres vazio
não deixas que outra o ocupe.
És egoísta
inconscientemente egoísta.
O coração é meu
apenas fisicamente.
Tu que o decoraste
a teu belo prazer
teimas em não o largar
não abdicas deste pedaço de músculo
que tenho no peito.
Nele desfraldaste a tua bandeira
está marcado com a tua imagem.
O que lá estava antes de ti...
apartaste...
fizeste um pequeno cubículo
e jogaste, como lixo, tudo o que aí estava.
Tomaste posse
és dona e senhora do meu coração
e fechaste-o a sete chaves
e deitaste as chaves fora
e não há no mundo
ferreiro que destrua o cadeado.
Não há ninguém no mundo
que consiga abrir os portões do meu coração
e entrar...
Tu assim o ditas
tu assim queres
tu assim podes
és dona e senhora do meu coração

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Dúvidas

Que pecado mortal cometi?
Que punição é esta?
Por que devo sofrer assim?
Que mal fiz eu ao mundo
para ser, diariamente, confrontado,
posto à prova?
Quanto mais tempo devo sofrer?
Não me chegava amar-te assim
com tanta intensidade?
Até o tempo atmosférico
vem contra mim.
De onde saiu este calor insuportável
que me obriga
não só a amar-te...
mas também a ver a tua pele nua?
Oh mísera existência
que vivo e odeio,
pudesse eu mudar os sentimentos,
pudesse eu apartar este amor.
Oh se me fosse permitido negá-lo
não teria de ver a tua pele
alva e sedosa pele...
Não teria de suportar
em silêncio
a dor de ver o teu corpo
corpo de sereia
com apenas uns panos a cobri-lo
e ver na transparência do tecido
as tuas curvas de pecado
as tuas divinas curvas
as curvas que podiam ter sido minhas
as curvas que minhas mãos poderiam,
deveriam ter tocado.
Oh inclemente calor de Verão
que vieste na estação certa
mas... na altura errada.
Eu já sofria
sofria por um amor presente
fora de alcance
agora sofro mais
sofro por um amor presente
fora de alcance
mas em permanente provocação.
Oh curvas celestiais
que em permanência
me tentam
me testam
me provocam
me fazem sofrer ainda mais.
Não era suficiente o meu sofrimento
por ver os olhos amendoados
o rosto de menina
as mãos de fada
do meu grande amor
da mulher que mais amo
do meu eterno Nenúfar?
Não era sofrimento suficiente
ver o cabelo cheiroso
os lábios finos
aquelas covas nos cantos da boca
do meu amor secreto
da mulher da minha devoção
do meu eterno Nenúfar?
E agora
ainda tenho de ver mais além
sofrer mais
ver em permanência
o fruto do meu desalento
esse corpo magistral
pelo qual me apaixonei
e ter o desejo mais acirrado
ter a vontade mais premente
e continuar assim...
cortês nos actos
frouxo nas palavras
cobarde na essência
sofredor na alma.
Até quando devo sofrer?
Que posso fazer para aplacar,
para acalmar
este destino que me é adverso?
Que me é exigido para evitar este fado?
Que outra saída tenho
que não seja a partida?
Sim! A partida.
Se me afastar... para longe
se me esconder do mundo
talvez não sofra tanto
talvez esta dor perca intensidade
e a minha vida não seja tão miserável.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Por amar

Nada do que faço
me permite esquecer-te.
A tua presença
mesmo sendo apenas recordação
é mais forte que a minha necessidade.
Procuro quem me ame
juro que procuro de verdade
mas a tua imagem
impede-me de agarrar
de unhas e dentes
a felicidade que mereço.
Pode parecer incoerência da minha parte
mas mesmo amando-te
preciso de alguém do meu lado
que me ame
e partilhe a vida comigo
porque tu nunca poderás ser minha.
Tu seguiste o teu rumo
já tens a felicidade que pediste
e és amada.
Em contraponto
eu segui o caminho
que o meu destino traçou
não alcancei a felicidade
amo-te e não sou amado.
Não te posso ter
mas mereço ser feliz.
Por ti mudei minha forma de ser
por ti modifiquei meu modo de agir
por ti sou diferente
mas não tirei nenhum partido da mudança.
Posso estar a sofrer
como punição pelo meu passado
mas a necessidade
de abandonar este solidão
existe e é urgente.
Porque te amo e nunca serás minha
eu me rogo a teus pés
e te peço que me libertes
peço-te que me abandones
peço-te que saias do meu coração
e me deixes ser feliz.
Eu mereço ser feliz
por te amar como amo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amor eterno

És imagem bem viva e nítida
nesta minha memória
não te consigo esquecer
não te quero esquecer.
Mil episódios eu me lembro
onde és figura de proa
e me volto a ver
como homem apaixonado.
Lembro-me de momentos passados
revivo conversas que tivemos
saio de mim
e assisto às nossas confidências.
Vejo o que talvez tenhas visto
ou não te apercebeste.
Vejo diante de ti
um homem apaixonado
com um olhar brilhante
onde a tua beleza se reflecte.
Vejo um homem calado
mas com vontade de dizer
alto e bom som
que te ama
como nunca amou ninguém.
Vejo o frémito invisível
que lhe percorre o corpo
sempre que está na tua presença.
O mesmo frémito invisível
que agora percorre o meu corpo
só de pensar em ti.
O tempo passa indiferente
não se perturba com o que sinto.
O tempo passa
mas o amor permanece
por ser eterno.