Mostrar mensagens com a etiqueta Vénias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vénias. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ONDJAKI

Estou aqui a tentar escrever um poema
para dedicar ao poeta angolano Ondjaki
mas não me ocorre nada interessante.
Dou voltas e voltas à procura de tema
de estilo, de versos, de palavras e nada.
Penso que o poema não nasce hoje
a não ser que me surja uma boa ideia.
Alguém me disse que é nos livros maus
que encontra ideias para a sua poesia.
Lembro-me de algo que li num livro mau
que talvez venha a ser uma boa ideia
embora me pareça demasiado absurda.
Enquanto trabalho nessa ideia sem nexo
aproveito e lanço um desafio ao Ondjaki:
Poeta! Que tal lomelinizares um poema teu
como eu tenho tentado ondjakizar um meu?


Este poema foi extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

VITOR CINTRA

Catorze versos métricos tem o soneto
s’assim não for será apenas imperfeito
mas há aquele que lhe apanha o jeito
sendo, poeta e poema, um belo dueto

Com sílabas contadas faz-se a poesia
num estilo que requer mais dedicação
entregando-se à escrita com devoção
será nos sonetos que revelará mestria

E se o saber for grande, melhor ainda
muitos serão os versos com história
que a pena do poeta não faça pausa

Que jamais se dê a sua arte por finda
os Deuses lhe outorguem toda a glória
e os homens, o título Honoris Causa 

Poema retirado do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


quarta-feira, 24 de julho de 2013

PEDRO MEXIA

Um grupo de jovens com sangue na guelra
típicos gaiatos dos subúrbios da capital
atravessavam a cidade de uma ponta a outra
no velho transporte público, vulgo, autocarro.
O metropolitano ainda não ía ao Cais do Sodré!

Depois era a boleia no comboio até Belém
e como não havia borlas no cacilheiro
todos abriam mão dos tostões amealhados
nas multifacetadas artimanhas da juventude.
A necessidade sempre aguça o engenho! Dizem!

Na Trafaria nada mais restava que arrastar os pés
até à praia de S.João (tantos quilómetros nas pernas)
aí chegados era cada um por si à caça de garina
que um dia de praia de nada valia sem companhia.
As histórias que as dunas contariam se pudessem!

Após um dia inteiro de mergulhos e amassos
perto da hora em que noutra estação seria noite
romaria em sentido contrário (o cansaço pesa)
com as algibeiras vazias o regresso era difícil.
As conquistadas é que pagavam as viagens!

Regressados ao bairro ainda havia uma pelada
que o banho podia esperar mais meia hora.
Nunca se pensava no dia que estava por vir
porque todos viviam apenas um de cada vez.
Ai que saudades dos tempos de juventude!

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013



segunda-feira, 8 de julho de 2013

NUNO JÚDICE

Amigo poeta, não fiques na indecisão
sobre o que usar em tempo agreste
não és bife e tantos os cães como os gatos
são pesos ligeiros perante os cântaros
que chovem em português.
Quanto às bruxas… pede-lhes as vassouras
e ajuda a limpar a sujeira em S. Bento.


Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

A ti poetisa porque Deus quis
Eu te falo com doçura na voz
Exalto as tuas belas raízes poéticas
Enalteço o talento de gerações passadas.
De ti poetisa porque Deus deseja
Eu aprendo o que é ser poeta
E revejo o sentimento
Que apenas os poetas têm.
Para ti poetisa porque Deus permite
Eu quero que escrevas ainda mais
Quero que nos delicies com teu talento
E nos faças sonhar
Ao sabor da tua poesia
Dos teus soberbos sonetos.
A ti poetisa porque Deus consente
Eu quero dizer palavras de louvor
Mas não há adjectivo que te sirva
Nem verbo que te descreva.
Para ti poetisa porque Deus acredita
Eu deixo a minha gratidão pela mestria
Pelos ensinamentos e pelos conselhos.
Em ti poetisa porque Deus aceita
Eu sempre quero ver e sentir
A tua alma poética
A alma de…
Poeta Porque Deus Quer

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

HELENA ISABEL


Nas bravas águas da Bretanha
deixas que os teus sentidos enlouqueçam
e expurgas de ti as tristezas do presente.
A felicidade que o líquido atlântico te dá
é a força que conservas na intimidade de ti
e nada mais temes para além dos pensamentos.
As palavras que saem do teu âmago
são o teu idioma, a tua natureza e o teu pulsar
que fazem de ti o que sempre quiseste ser, poetisa!

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

TATIANA MOREIRA


A ti poetisa
mil vezes garanti
mais que vontade, o desejo
de ser o artífice dos teus versos.
Do teu estro
saem sentimentos que são os meus
em frases que bem podiam ser as minhas
e que me revelam.
Da tua pena sai a seiva
que corre nestas veias
como se as tuas palavras
fossem a descrição de mim.
Em ti poetisa
ouve-se a voz do meu ser
o choro da minha alma
e o pranto da minha existência.
 
Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

ANTÓNIO MR MARTINS


Ser poeta é dar ao mundo versos de candura
é escrever ironias e metáforas como Aquilino
é sentir mil sentimentos quase no feminino
e banhar as palavras nas águas de ternura.
 
Ser poeta é saber viver outra forma de vida
é fingir como Pessoa, num jeito que seduz
é dar a cara mesmo usando máscara de luz
e desaguar feliz numa atlântica foz sentida.
 
Ser poeta é rimar a poesia sem ter rima
é levantar a cabeça e mantê-la em cima
navegando nas palavras que alimentam.
 
Ser poeta é ser de todos o mais indigente
mesmo sendo semelhante a toda a gente
felizes aqueles que a poesia experimentam.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

VICTOR OLIVEIRA MATEUS


De ti nascem os esboços do que escrevo agora
nestas linhas pautadas pelo vazio do branco
onde rasuro ideias que custam perícia e tempo
na incerteza da morfologia destas palavras
que respiram e regurgitam num só movimento.
 
Também são tuas estas frases órfãs de saber
inspiradas num instante de alucinação pagã
mas livres dos preconceitos irracionais da razão
que as dilacera e corrompe a cada sílaba
numa dança válsica que foge à compreensão.
 
Não negues a paternidade destas estrofes
cujas rimas furtivas se eclipsaram à nascença
deixando um simples discurso incoerente
de alguém que necessita escrever algures
todos os poemas que o papel recusa albergar.
 
São teus os versos que aqui vêm descansar
depois de correrem as estradas da criação
numa alucinante viagem sem destino prévio
mas com indomável vontade de se juntarem
e no fim gritar as dores de terem sido paridas.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

ROSA MARIA

Com teu calor e paixão escreves poesias
que alimentam as emoções mais recatadas
como sabemos nem todos os dias são dias
nem as manhãs nascem de más alvoradas. 
 
Com os versos de dor, amargura, tristeza
discursas sobre a vida como outros calam
falas de melancolia, de amor com singeleza 
anuncias ao mundo o que muitos não falam.
 
Com a tua poesia solitária roubas solidões
em muitos lares és companhia bem-vinda
és aconchego p'ra tristes almas e corações
porque tua generosidade poética é infinda.
 
Com tua pena tocas humanos sentimentos
que são teus, são meus, são de todos nós
tuas palavras chorosas, prantos, lamentos
são gritos d'alma que não precisam de voz.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

GRAÇA PIRES

Às vezes é no conforto do silêncio
que as lágrimas se ajustam aos olhos
e rodopiam numa dança salgada
em marés de lembranças e vazio.
Sente-se a vibração das horas
nas correntes do rio solitário
quando as pupilas sangram dor
e inudam os rostos de angústia.
Resta lavar as mágoas da alma
e afogar as manchas do peito
na voz morna do pranto.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013