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sábado, 7 de novembro de 2009

Pássaro livre

Sou uno e indivisível
a mim mesmo pertenço
no bem e no mal.
Não ser de ninguém é uma bênção
e deste estatuto não abdico.
Gosto de ser pássaro livre
apesar dos momentos solitários
e dos voos sem sentido.
Recuso enjaular-me
em gaiolas alheias
e perder o meu céu
o meu destino.
Não prescindo da liberdade
de ter asas e voar
escolher a minha rota
e os meus portos de abrigo.
Recuso ser ave aprisionada
pelos caprichos
e vontades de outros.
Posso não ser canora
mas sou ave do meu jeito
assim me fiz
assim me mantenho
assim soltarei o meu último suspiro.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lá fora a chuva cai

Lá fora a chuva cai.
Neste meu beco de ideias
tento alinhavar conceitos
em esboços de poesia
que me fogem ao sentido.
Lá fora a chuva cai
em bátegas inclementes
que, ruidosas,
desconcentram-me
impedindo-me de ser criador.
Lá fora a chuva cai
e talvez a água vertida
não queira ser poema
e ao diluir-se
lave o saber que me falta.
Lá fora a chuva cai
senhora de si
alheia ao mundo
alienada de mim
e do poema
que tento escrever.
Lá fora a chuva cai
com suas gotas de água
grossas
insensíveis
absortas
que ignoram a poesia
sendo elas próprias
poemas líquidos.
Lá fora chove poesia.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Poeta inconveniente

O poeta pode ser inconveniente
dizendo o que ninguém quer ouvir.
Palavras sopradas em surdina
que ferem ouvidos culpados
são perseguidas vorazmente.
O poeta pode e sabe ser inconveniente.
Gritando ao mundo as vilezas
põe a sua cabeça no cepo
sem temer esse acto guilhotinado.
O poeta é inconveniente
e sabendo que o é
mais inconveniente se torna
mais contestado é
menos procurado fica.
O poeta é inconveniente
e por isso solitário.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ligação luso-tupiniquim

Unidos pela palavra
caminhamos num só sentido
o do enriquecimento cultural.
Juntos, lado a lado
no momento, dois povos
duas culturas
estilos vários
uma só língua e identidade.
Amparados pela escrita
cruzamos os mundos criativos
marcamos uma nova era
cunhamos tesouros
firmamos novas vontades
inscrevemos novos capítulos na história
fazemos a diferença.
Ligação luso-tupiniquim
(adoro a expressão)
expressão feliz.
Brasileiros e portugueses
duas bandeiras
uma só nação atlântica.
O que a palavra une
é mais forte
que o oceano que nos separa
A todos os amigos e amigas que por aqui passam sugiro que visitem o novo blogue RASURAS que surgiu da vontade de algumas pessoas, de ambos os lados do Atlântico, em dar o seu contributo para o enriquecimento cultural da língua portuguesa.

Vida de Lisboa

Caminho ligeiro pelas ruas de Lisboa
cruzo-me com toda e qualquer pessoa
este que tosse, aquele ali que se assoa
gente de Alfama, Graça, Alvito, Madragoa
gente simples numa cidade que não destoa
onde o silêncio nem na noite ecoa.
Há quem ande perdido ou simplesmente à toa
ouve-se um ou outro grito que ressoa
não pode ser coisa boa
uma mãe defende o filho como uma leoa
ataca o assaltante e não lhe perdoa.
Há quem coma peixe frito com broa
para sobremesa uma suculenta meloa
como digestivo uma voz que fado entoa.
Uma pomba branca que no céu voa
no rio navega uma frágil canoa
cuidado pescador com a sua proa
não estás numa regata na lagoa
olha que esse petroleiro te abalroa.
Se afundas, que vais dizer à tua patroa?
Aquela que em tua casa é rainha sem coroa.
Aquela que a tua cevada matinal coa
desde o teu regresso de Goa.
Aquela que por ti eternamente se magoa
e no mercado, o que pescas apregoa
na sua voz de varina que tão bem soa.
Aquela a quem tu dedicaste a singela loa
e reza para que a tua vida não se escoa.
A tua morte talvez lhe doa.
Evita, portanto, que essa noticia a moa
e alguém lhe diga: - O seu marido amou-a.
O titulo original deste meu poema é "Exercicio II" e faz parte de uma trilogia de poemas que me serviu de exercicio rimático.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Invisível

Aos teus olhos sou mar revolto
sem maré que me guie
sem lua que me conduza.
Vês-me como brisa de tempestade
furacão sem ferocidade
sou natureza obtusa.
Sentes-me como sopro solar
em noite de lua encoberta
sou escuridão com brilho próprio.
Ouves-me como silêncio atroz
ave canora sem timbre
mutismo por ti infligido.
Nas tuas mãos sou pedaço de nada
matéria inorgânica
sou menos que pó.
Caminhas sobre meu corpo persa
qual rainha em seu domínio
pisando um vassalo insignificante.
Ignoras a alma que me habita
és ceifeira do meu sentimento
para mal dos meus pecados
continuo invisível.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Branqueamento

Podes dizer que estás de cara lavada
e essa possibilidade existe
logo
tenho de acreditar nas tuas palavras.
Podes jurar que és um ser renovado
e essa hipótese não ponho de lado
porque sei
por experiência própria
que a renovação da pessoa é possível.
Podes gritar ao mundo
que teu coração deixou de ser duro
e eu abono o teu grito
porque conheço corações amolecidos
pelos sentimentos.
Podes exaltar o nascimento de uma vida nova
e eu aplaudo o teu aperfeiçoamento.
Mas não me queiras impingir
essa mentira deslavada
que tens a alma pura
porque para branquear a alma
ainda não existe dentífrico

sábado, 17 de outubro de 2009

A minha forma de amar

Amo com toda a força do meu ser
amo no momento e em toda a vida.
Amo no passado, no presente, no futuro
amo no início e no fim.
Amo na tristeza e alegria
na verdade e na mentira.
Amo no branco, no preto, no cinzento
amo colorido e incolor.
Amo opaco, baço, inodoro
amo na audição e no mutismo.
Amo na presença, na distância
no aconchego e na ausência.
Amo nas horas, minutos e segundos
dias, semanas, meses e anos
amo no nunca e na eternidade.
Amo no sim , amo no não
amo também no talvez
na dúvida e na certeza
na utopia e no dogma
amo em alfa e em ómega
analfabeto e erudito.
Amo na escassez e na abundância
amo muito com pouco
amo tudo com nada.
Amo pelo simples facto de amar.
Mas o meu amor não é correspondido
porque talvez
não se deva amar assim.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Como no primeiro dia

É teu este coração rasgado
que o tempo não cicatriza.
É tua esta alma penada
que no meu corpo se refugia.
Estão em ti os meus pensamentos
dolorosas lembranças de nada.
A tua imagem é tudo o que me resta.
Esse último sorriso
ingénuo de tristeza
que na despedida me enviaste
definha ao ritmo das minhas pulsações.
Esse último olhar
que em mim pousaste
esvai-se como suspiros.
O teu níveo rosto
que, tarde na vida, aprendi a amar
esbate-se da minha memória.
Mesmo assim
não consigo deixar de te amar
como no primeiro dia.

domingo, 11 de outubro de 2009

Reunidos no Olimpo

Não posso provar o que digo
mas eis a verdade suprema
o meu destino foi decidido no Olimpo.
Em reunião magna convocada por Zeus
compareceram todos os outros Deuses
desde Apolo a Zéfiro
de Afrodite (Vénus) a Baco (Dioniso)
Ártemis (Diana) e Hermes (Mercúrio)
Eros e Neptuno (Posídon)
Vulcano (Hefestos) e Marte (Ares).
Todos deram a sua opinião
expuseram os seus argumentos
e decidiram como seria a minha vida.
Mas não houve consenso
Deuses houve que se sentiram feridos no orgulho
e acharam que me estavam a dar demasiada importância.
Eu, simples mortal, filho de um Deus menor
avaliado pelos Deuses supremos?
Heresia maior não pode existir
os Deuses têm mais com que se preocuparem.
Então, desde esse dia glorioso
em que meu nome foi falado no Olimpo
tenho vivido num oceano de situações
umas vezes em paz e sossego
outras em constante tormenta.
Tudo por culpa de alguns Deuses
que guiados por Hera
não gostaram que alguém como eu
filho de um Deus menor
fosse protegido do Olimpo.
Vivo pelos caprichos dos Deuses.

sábado, 10 de outubro de 2009

Em bandeja de prata

O amor foi-me servido em bandeja de prata
mas eu era o "garçon" de serviço
e apenas me foi permitido vê-lo sem tocar.
O prato estava bem composto
cheio de requinte, sem ostentação
muita cor e alegria, saudável
delícia de "gourmet"
como se quer num "buffet".
Mas eu apenas o olhei.
Ninguém me disse para o provar
não sabia que podia fazê-lo
e quando descobri o gosto desse amor
era tarde
já alguém o tinha saboreado
e apoderara-se dele.
Resta-me a lembrança
de um dia me terem servido o amor
numa bandeja de prata.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cúpido

Um cúpido de fraca visão
alvejou-me negligente
e dez anos passados
o veneno da sua flecha
ainda circula no meu sangue.
Um cúpido de má índole
tentou remediar o seu erro
acometendo-me de cobardia
calando a minha voz
impedido-me de expressar
a natureza do amor injectado.
Um cúpido inábil
não satisfeito com o duplo erro
e não tendo antídoto para o veneno
procurou minimizar a incompetência
com o acumular de desacertos
e a minha vida encheu-se de nevoeiro.
Deixei de ser humano como os demais
passei a ser uma cobaia
nas mãos do cúpido.

domingo, 4 de outubro de 2009

Poemas de amor

Carrego nos meus ombros
o peso da poesia que te escrevi
e a cada passo que dou
sinto-me vergar.
Os poemas de outrora
não perderam validade
mas tornaram-se
fardos demasiado pesados
e estou a perder as forças.
Nas palavras que te dei
nos versos que te dediquei
ofereci-te amor e paixão
e comigo ficou a dor
e o sofrimento.
Isto que agora digo
não é um queixume
é uma constatação
um lavar de alma
um expurgar de solidão
que meus poemas me deram
e te ocultaram.
Sim sofro!
Mas na sombra da poesia
esconderei a dor
e continuarei a escrever-te
poemas de amor.

sábado, 3 de outubro de 2009

Metamorfose

Vagueio num bosque de imaginação
caminho trilhos de criatividade
perco-me nas lonjuras da poesia.
Sinto o doce cheiro de um verso
suave fragrância de um poema
deixo-me envolver e perfumar.
A beleza das palavras desfila diante de mim
uma miríade de cores invade-me o olhar
frases com sentidos brilhantes
ofuscam a minha visão enternecida.
Misturo-me com as palavras
e eu próprio sou um verso
elemento de um poema sentido.
Transfiguro-me em poesia
mascaro-me de poeta.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Elos

Letra a letra
forma-se uma palavra.
Palavra a palavra
nasce um verso.
Verso a verso
constrói-se um poema.
Poema a poema
germina uma poesia.
Poesia a poesia
revela-se uma vida.
Vida a vida
refaz-se uma certeza.
Certeza a certeza
liberta-se uma verdade.
Verdade a verdade
edifica-se um saber.
Saber a saber
ergue-se um conhecimento.
Conhecimento a conhecimento
ganha-se a liberdade.
Escreve uma letra e serás livre.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Leio

Leio a poesia consagrada
escrita pelos poetas mestres
e vou bebendo a sabedoria
que desejo ter em meus versos.
Leio os poemas mais afamados
escritos pelos poetas fundamentais
e tento aprender conceitos
que divinizem a minha poesia.
Leio os cantos mais sublimes
versejados pelas vozes exímias
e tento redigir meus textos
com sentimento e paixão.
Leio a poesia universal
inventada pelos trovadores
e procuro a excelência
estampada nas minhas letras.
Leio palavras por forjar
compostas pelos poetas imortais
e sonho ser mais que rimador
mais que aprendiz de poeta.

domingo, 27 de setembro de 2009

Aos poetas e poetisas da blogosfera

Vastos mundos
realidades diferentes.
Sentimentos iguais
justificados na desigualdade.
Vidas distintas, certezas comuns
cada um com seu modo de expressar.
Poetas e poetisas de carne e osso
vozes anónimas que falam e explicam
os porquês da singularidade
dos seus pensamentos.
Punhos que riscam individualidade
em temas colectivos.
Vidas contadas em poesia
poemas que são vida.
Verbos de significâncias várias
adjectivações singulares.
Por cada sentimento mil explicações
por cada medo mil reacções
por cada poeta um olhar
em cada poema um trecho de vida.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mais

Mais que sonhador
eu sou o próprio sonho
personagem de mim mesmo.
Ando de desejo em desejo
sem encontrar uma só realização.
Mais que esperançoso
sou a própria esperança
teimosia do meu ser.
Vou de porta em porta
sem encontrar uma só motivação.
Mais que inventivo
sou a própria invenção
criações do meu intelecto.
Viajo de ideia em ideia
sem encontrar o meu equilíbrio.
Mais que tudo
eu sou o nada
vazio imenso que sou.
Ausência ou omnipresença
aqui estou sem me encontrar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Poeta arqueólogo

Poeta que estás por vir
arqueólogo do futuro
que meus poemas vais desenterrar
a ti te peço delicadeza
perante o que agora escrevo.
Não tentes escavar significados
nada de oculto existe na minha poesia.
Não procures intenções escondidas
nos versos que fiz e faço.
Não queiras que meus poemas
sejam a tua verdade.
Não autopsies o meu legado.
A minha poesia não está
nem nunca estará morta
e sobreviverá à minha existência.
Todos os meus versos são claros
tal qual as estrelas têm luz própria.
Estes meus poemas que vais encontrar
ler
estudar
declamar
contestar
discutir
plagiar
são pedaços do meu sentir
trechos do meu pensar
momentos da minha vida.
A ti poeta do futuro
arqueólogo da minha obra
peço vergado pela humildade
não desfigures a minha poesia
não mates o que restará de mim
após a minha transformação.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O meu coração

O meu coração
é como uma casa assombrada
ninguém o habita
mas sente-se uma presença
ninguém arrisca entrar nele
com medo dos fantasmas
que vagabundeiam como espectros.
O meu coração
é como uma mina abandonada
onde outrora se peneirou riqueza
e agora todos temem entrar
nada se move no seu interior
mas ouvem-se os vagões ranger.
O meu coração
é como um navio fantasma
navegando em denso nevoeiro
sem rumo
sem destino
ao sabor da maré estagnada.