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terça-feira, 22 de outubro de 2013

NATÉRCIA FREIRE

Quando chegar a hora do anoitecer
e os postigos dos olhos relaxarem
tenho a certeza que vou adormecer
abraçado ao crepúsculo do crer
mesmo depois de me encerrarem.

Visitarei o porto da minha descrença
ao barqueiro Caronte pedirei licença
mas recusar-me-ei embarcar
se a travessia for tumultuosa
a barca ser distante de luxuosa
e não ouvir os querubins a cantar.

Pela viagem não pagarei um tusto
a mim não se aplicará cobrança
não atravessarei a qualquer custo
para arrelia já bastou o susto
de jamais viver em abastança.

E se Caronte insistir no pagamento
direi que verdadeiramente lamento
mas nem obrigado irei pagar
só embarcarei estando tudo a gosto
eu nunca fiz o que me foi imposto
não pisarei a barca para lhe agradar.

E se no limbo que não acredito
eu tiver de permanecer eternamente
não darei o dito pelo não dito
mesmo que me chamem impertinente.

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

JOÃO MELO


A minha poesia é bem portuguesa
e escrevo em todos os sotaques
inclusive os de outros continentes.
Os versos que crio como fado
têm ritmo de samba e kuduro
e dançam embalados numa morna.
Alimentam-se de funje aos Sábados
e de bacalhau aos Domingos.
A lusofonia dos meus poemas
não tem fronteiras, é universal.

Este poema foi extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013


terça-feira, 11 de junho de 2013

JOSÉ JORGE LETRIA


Chegado aos quarenta anos
acho que ainda não ganhei medo algum
nem da morte, nem do que a vida me dá.
Não que tenha pensado muito no assunto
simplesmente não perco o meu tempo
a medir a coragem ou os receios
como bastantes poetas fazem.
Há muito que cheguei à conclusão
da inutilidade desses pensamentos.
As preocupações nada mais são
que grandes inquietações precoces
fora de tempo e que nos restringem.
Como criador que me penso e sinto
não permito que sejam traçados limites
no meu apetite de criatividade.
Afinal, eu também respiro o que escrevo. 

Poema extraído do meu livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

MIA COUTO


No dealbar da vida
existe a nascente
do rio sem nome.
 
As águas correm
de braço dado com a morte
e sepultam as pedras feitas pó.
 
Só os caminhos gastos
andam descalços
e escapam à eternidade
de um destino certo.

Poema extraído do meu último livro POETAS QUE SOU - Lua de Marfim - 2013